O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que os incêndios florestais no Amazonas apresentam indícios de ação criminosa. Após sobrevoar áreas atingidas no domingo (11), ele declarou que a situação é mais grave do que imaginava e cobrou medidas para identificar e punir os responsáveis.
A crise se intensificou entre setembro e outubro, com o aumento dos focos de incêndio, principalmente na região metropolitana de Manaus. Nesta segunda-feira (12), a capital amazonense completou o quinto dia consecutivo encoberta pela fumaça das queimadas.
Focos de fogo atingem áreas preservadas
Durante o sobrevoo, realizado principalmente na região de Autazes, um dos municípios mais atingidos, Capobianco afirmou ter identificado focos de incêndio no interior da floresta preservada, além de áreas de pastagem.
Segundo o ministro, a presença de fogo em regiões de vegetação conservada indica a possibilidade de queimadas provocadas deliberadamente para degradar a floresta e abrir caminho para o desmatamento.
“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos”, afirmou Capobianco, ao defender medidas para combater a impunidade.
O ministro pediu ao governo do Amazonas que mobilize a Polícia Militar, além do Corpo de Bombeiros, para reforçar as ações de fiscalização e responsabilização dos envolvidos.
Registros de incêndios aumentam 260%
Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), vinculado ao Ministério da Defesa, apontam 1.600 eventos de fogo ativo no Amazonas entre 1º e 12 de outubro de 2026.
No mesmo período de 2025, foram registrados 444 eventos. A comparação representa um aumento de aproximadamente 260% nos registros de fogo ativo no estado.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) extinguiu 292 incêndios desde o início da temporada de queimadas e continuava atuando no combate a outros oito incêndios ativos.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou 3.558 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais entre 1º de junho e 11 de outubro. A corporação informou ter atuado no combate a 21.690 focos, dos quais 4.526 em Manaus.
Municípios mobilizam equipes contra as chamas
Em Itacoatiara, uma força-tarefa com mais de 150 pessoas, incluindo voluntários, foi organizada para conter o avanço do fogo. Segundo a prefeitura, seis pontos do município foram atingidos, com uma área superior a 2 mil hectares queimada.
O coordenador da Defesa Civil municipal, Hekney Rebouças, pediu que moradores evitem utilizar fogo para preparar áreas de plantio durante a estiagem. Ele alertou para os impactos dos incêndios sobre a floresta, os animais e as comunidades.
A prefeitura também identificou uma área de desmatamento ilegal e apreendeu equipamentos, incluindo uma roçadeira.
Em Careiro da Várzea, caminhões-pipa foram contratados para reforçar o combate às chamas. Com a aproximação do fogo de áreas residenciais, famílias precisaram deixar suas casas.
Já em Boa Vista do Ramos, a administração municipal informou que mais de 200 pessoas atuavam voluntariamente na contenção dos incêndios em diferentes pontos do município.
Fumaça deixa qualidade do ar péssima em Manaus
A fumaça das queimadas voltou a encobrir Manaus nesta segunda-feira, pelo quinto dia consecutivo. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram qualidade péssima do ar em diferentes pontos de monitoramento da capital.
Em uma das estações, a concentração de material particulado chegou a 219 microgramas por metro cúbico (µg/m³) durante a manhã. Esse material está presente na fumaça e pode prejudicar a saúde.
Para comparação, o índice de referência utilizado no sistema considera boa a qualidade do ar quando a concentração de material particulado alcança até 25 µg/m³.
Governo federal mobiliza aeronaves para combater incêndios
O governo federal mobilizou 11 aeronaves para as operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas. Duas aeronaves KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB), chegaram a Manaus na noite de domingo.
Uma delas será utilizada no transporte de materiais e equipamentos de apoio. A outra será empregada diretamente nas operações de combate ao fogo.
Para esta segunda-feira, estavam previstas três decolagens, com duração aproximada de duas horas cada e lançamento de cerca de 12 mil litros de água por saída.
Estado proíbe uso do fogo durante a estiagem
Em nota, o governo do Amazonas informou que mantém ações de prevenção, fiscalização, monitoramento e combate às queimadas. O Corpo de Bombeiros atua na contenção dos incêndios, enquanto o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) fiscaliza o uso irregular do fogo.
Um decreto estadual publicado em 9 de setembro estabeleceu a proibição do uso do fogo por 120 dias em todo o território amazonense, respeitadas as exceções previstas na legislação. O governo também contratou 153 brigadistas florestais.
Além disso, 36 municípios tiveram a situação de emergência decretada em razão dos incêndios florestais. Segundo a administração estadual, a medida considera o agravamento das condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño, com previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, fatores que favorecem a propagação das chamas.







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