Organização de ato pró-Flávio na Paulista pede que manifestantes escondam bandeiras dos EUA e de Israel

Manifestação reúne público menor que ato de Lula na semana anterior, é embalada por funks contra o PT e conta com a participação de lideranças bolsonaristas

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Apoiadores do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) se reuniram na manhã deste domingo (18), na Avenida Paulista, em São Paulo, para uma manifestação marcada por músicas de campanha, versões de sucessos do funk e do axé e palavras de ordem contra o PT. Batizado de “Bloco 22”, o ato ocupava cerca de duas quadras da avenida, uma extensão muito menor do que a registrada na manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada no domingo anterior.

A mobilização bolsonarista foi organizada em formato semelhante ao de um bloco de carnaval, com carros de som, jingles eleitorais e participantes vestidos predominantemente com as cores verde e amarela. A estratégia busca transformar a manifestação política em uma festa de rua, utilizando músicas populares adaptadas para divulgar mensagens de campanha.

Além de Flávio Bolsonaro, estavam previstas as participações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e do deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP).

Os quatro deveriam percorrer a avenida em carro aberto e discursar para os apoiadores, em uma demonstração de unidade de lideranças da direita na reta final da disputa presidencial.

Segundo informações do jornal O Globo, a concentração ocorreu nas proximidades do número 1800 da Paulista, com manifestantes distribuídos até a região do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Funks adaptados e jingles contra o PT embalam manifestação

A trilha sonora foi um dos principais elementos da mobilização. Caixas de som instaladas ao longo da avenida reproduziam músicas tocadas no carro principal, posicionado inicialmente no cruzamento da Paulista com a Alameda Ministro Rocha Azevedo.

Entre os sucessos adaptados para o ato estava o funk “Nova Geração” (“Eu sou o Jonathan da Nova Geração”), que ganhou uma versão com referências à disputa eleitoral.

“Quem ficar parado é petista disfarçado” e “fora, PT, aqui não é seu lugar“ estavam entre os versos repetidos pelos participantes, que acompanhavam as músicas com danças e palavras de ordem.

Também foram executados jingles associados a aliados do candidato do PL, como “Nikolas Ferreira bota a esquerda pra correr” e “Ô Tarcísio, Tarcísio”.

O formato dos chamados bloquinhos começou a ser utilizado por Nikolas Ferreira ainda durante o primeiro turno. A iniciativa combina repertório musical popular, mensagens contra a esquerda e referências à identidade política do bolsonarismo.

Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel aparecem entre apoiadores

A maioria dos manifestantes vestia camisas da seleção brasileira e carregava bandeiras com o número 22, utilizado por Flávio Bolsonaro na urna eletrônica.

Também chamavam a atenção bandeiras que combinavam símbolos do Brasil e dos Estados Unidos, além de bandeiras de Israel. Vendedores ambulantes ofereciam produtos associados à direita, incluindo bonés com referências ao presidente dos EUA Donald Trump.

Antes do início dos discursos, a organização pediu aos participantes que recolhessem as bandeiras estrangeiras, procurando concentrar a manifestação nos símbolos nacionais.

“Hoje é a nação brasileira, queria pedir para que bandeiras de outros países fossem recolhidas”, disse um membro da organização do carro de som principal.

A orientação foi transmitida aos presentes enquanto os organizadores preparavam a movimentação do veículo que conduziria Flávio Bolsonaro e seus aliados até a região do Masp.

Flávio intensifica campanha após passagem pelo Espírito Santo e pela Bahia

A manifestação na Avenida Paulista integra uma sequência de atividades da campanha de Flávio Bolsonaro na última semana antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

No sábado (17), o senador esteve no Espírito Santo, onde participou de compromissos eleitorais ao lado do candidato ao governo estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos) e do senador Magno Malta (PL-ES).

No mesmo dia, Salvador, na Bahia, recebeu outra edição do “Bloco 22”, ampliando a presença da campanha em diferentes regiões do país.

A mobilização deste domingo em São Paulo ocorre poucas horas antes do primeiro debate presidencial com a presença dos dois candidatos.

Lula e Flávio Bolsonaro confirmaram participação no encontro promovido pela Rede Bandeirantes, em parceria com Estadão, TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan.

O confronto político terá um novo capítulo na noite deste domingo, quando Lula e Flávio Bolsonaro estarão frente a frente no debate da Band, previsto para começar às 20h.

Uma semana antes, Lula reuniu apoiadores em ato que ocupou vários quarteirões

A manifestação bolsonarista ocorre exatamente uma semana depois de Lula participar de um ato na mesma avenida, no domingo (11), acompanhado por lideranças de partidos de esquerda e integrantes de seu governo.

Na ocasião, o presidente esteve ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), do ex-ministro Fernando Haddad (PT), das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).

A mobilização havia sido inicialmente convocada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e por centros acadêmicos universitários, após o resultado do primeiro turno. Nos dias seguintes, ganhou adesão de movimentos sociais e organizações partidárias.

Lula confirmou sua participação apenas na véspera, quando a mobilização já apresentava sinais de grande adesão.

Entre as reivindicações exibidas pelos participantes estavam a defesa do Bolsa Família e o fim da escala de trabalho 6×1, propostas associadas à agenda política do presidente.

Outro elemento que chamou a atenção foi a presença de cartazes e imagens de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

A referência religiosa ganhou espaço na manifestação após a circulação, durante a campanha, de informações sobre um antigo projeto de lei, arquivado há quase duas décadas, que pretendia retirar da santa o título de padroeira nacional.

Imagens aéreas mostraram manifestantes espalhados por diversos quarteirões da Avenida Paulista, uma ocupação territorial superior à observada na manhã deste domingo no ato de Flávio Bolsonaro.

Com a votação marcada para o próximo domingo (25), as duas campanhas procuram intensificar a mobilização de apoiadores e ampliar sua presença nas ruas.

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