TSE mantém restrição de viagem a investigado por Teatro Invisível em São João de Meriti

Por unanimidade foi negado recurso de defesa de Roberto Pinto dos Santos, acusado de liderar esquema de desinformação durante as eleições de 2024, no caso conhecido como operação Teatro Invisível

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o recurso da defesa e manteve a restrição de viagens ao exterior imposta a Roberto Pinto dos Santos, apontado como suposto líder de uma organização criminosa responsável por espalhar notícias falsas durante a campanha eleitoral de 2024 em São João de Meriti (RJ). A decisão foi tomada por unanimidade, em julgamento virtual iniciado em 31 de outubro e encerrado nesta sexta-feira (7).

O caso, relatado pela ministra Estela Aranha, teve votos convergentes de todos os ministros — Cármen Lúcia, Isabel Gallotti, Floriano de Azevedo Marques, Antonio Carlos Ferreira, Nunes Marques e André Mendonça.

A defesa do investigado pedia a revogação da única medida cautelar ainda vigente, que proíbe Roberto Pinto dos Santos de deixar o território nacional sem autorização judicial. O TSE, no entanto, considerou a medida proporcional, já que o réu responde a processo por crimes eleitorais e formação de quadrilha no contexto da chamada operação Teatro Invisível, deflagrada pela Polícia Federal para investigar uma rede de desinformação voltada a influenciar o pleito municipal.

Atores espalhavam notícias falsas em locais públicos

Segundo o processo, o grupo teria contratado atores e atrizes para espalhar boatos e falas falsas em locais públicos, como praças, transportes e comércios da cidade, com o objetivo de beneficiar o então candidato a prefeito Valdecy da Saúde (PL) e prejudicar o adversário político Leo Vieira (Republicanos), prefeito eleito em 2024. Leo Vieira foi o autor da denúncia junto com seu irmão, o deputado federal Luciano Vieira (Republicanos-RJ).

Antes da decisão do TSE, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) já havia flexibilizado as cautelares, revogando o monitoramento eletrônico e outras restrições impostas, mas manteve a proibição de deixar o país sem autorização judicial — entendimento agora confirmado pela Corte Superior.

Com a decisão do TSE, segue em vigor a determinação que obriga Roberto Pinto dos Santos a pedir autorização judicial para deixar o Brasil, até que o processo criminal seja concluído.

A operação Teatro Invisível foi deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2024. Em abril deste ano, nova fase da ação cumpriu dez mandados de busca e apreensão contra a suposta organização criminosa que envolvia também fraudes em licitações e em lavagem e dinheiro. Os alvos da operação Teatro Invisível II também são suspeitos de obstrução de justiça e caixa dois eleitoral.

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