Trump vence segunda etapa de eleições dos Republicanos e confirma favoritismo para enfrentar Biden na corrida à Casa Branca

Resultado, entretanto, não foi exatamente como a campanha do ex-presidente esperava, acendendo um sinal amarelo

O ex-presidente Donald Trump , venceu a segunda etapa das primárias presidenciais republicanas, que aconteceram nesta terça-feira (23) no estado americano de New Hampshire. A vitória era apontada nas pesquisas na disputa com a ex-governadora da Carolina do Sul, Nikki Haley, sua única adversária.

Com menos de 20% das urnas contabilizadas, o ex-presidente foi declarado vitorioso pela imprensa americana com cerca de 30% dos votos. Trump consolida assim o seu favoritismo na oposição rumo à Casa Branca, onde deve enfrentar o presidente Joe Biden, candidato à reeleição. O resultado, entretanto, não foi exatamente como a campanha do ex-presidente esperava, acendendo um sinal amarelo para a próxima parada, o mesmo estado em que a adversária governou entre 2011 e 2017.

Nenhum candidato republicano que venceu em Iowa e New Hampshire perdeu a indicação do partido para a Casa Branca antes.

Um bom desempenho de Haley em um estado mais moderado do que Iowa — que inaugurou oficialmente o calendário eleitoral americano no dia 15 — e onde cidadãos não filiados poderiam votar na corrida republicana, era crucial para que a candidata se consolidasse como opção viável para barrar a cada vez mais inevitável coroação de Trump como o adversário de Biden.

A campanha da ex-governadora afirmou, no entanto, que competirá, em um mês, no terceiro estado em que eleitores republicanos declararão sua preferência para a Presidência, justamente a Carolina do Sul, que ela governou entre 2011 e 2017. Pesquisas mostram, no entanto, Trump com 60% dos votos no estado sulista.

O resultado confirmou o favoritismo de Trump, de 77 anos, apesar de seus problemas com a Justiça. O ex-mandatário responde a 91 processos, um deles por alegadamente tentar alterar os resultados das eleições de 2020, vencidas por Biden.

— Saiam da cama e vão votar! — instou Trump na noite de segunda, durante um ato de campanha em Laconia, no estado do nordeste do país. — Devemos ir às urnas, pois temos que vencer por ampla margem.

A nova vitória do magnata ocorre pouco mais de uma semana depois de vencer, com ampla margem, o caucus de Iowa, quando conseguiu 51% dos votos, em vitória considerada histórica por especialistas e políticos republicanos.

Haley, por sua vez, chegou em terceiro lugar no estado do meio-oeste, com 19%, atrás do governador da Flórida, Ron DeSantis, que abandonou a disputa no domingo — reduzindo o que originalmente era um campo com 14 candidatos a um duelo claramente desigual.

Antes da votação começar em New Hampshire, Haley destacou suas diferenças em relação a Trump em temas importantes, entre eles política externa. Defendeu mais ajuda para a Ucrânia e Israel, crucial, segundo a ex-embaixadora dos EUA na ONU, para fortalecer a influência global dos EUA. E expressou preocupação sobre o risco de agressões russas contra membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, liderada pelos EUA), como a Polônia, se a ajuda a Kiev for interrompida.

Enquanto isso, Trump disse aos eleitores de New Hampshire que está tratando diretamente com congressistas republicanos, “na posição de candidato concebível do Partido Republicano à presidência” para endurecer as negociações de ajuda à Ucrânia no Capitólio, defendidas pelo governo Biden, indicando mudança sensível na política externa dos EUA se vencer em novembro.

Em New Hampshire, ao contrário de Iowa, os eleitores votam de maneira convencional, mas em primárias “semiabertas”, permitindo os não filiados a partidos de participarem do processo, o que geralmente beneficia candidatos mais ao centro, como é o caso de Haley.

Vinte e dois delegados estão em disputa, distribuídos proporcionalmente. Embora essa seja uma parte pequena dos 1.215 necessários para a indicação do partido, a relevância do estado no processo de indicação também se dá devido à sua posição inicial no calendário eleitoral.

Mesmo com a derrota nesta terça-feira, Haley rejeitou apelos para encerrar sua campanha e unir o partido em torno de Trump.

— Não cheguei aqui por sorte — disse a ex-governadora em um local de votação na cidade de Hampton, cercada por apoiadores, incluindo o governador Chris Sununu. — E sim porque trabalhei mais e fui mais inteligente do que os outros candidatos (ela é a única mulher na disputa).

Questionada sobre os comentários de Trump em comício no dia anterior, nos quais o ex-presidente sugeriu que ela provavelmente desistiria após a votação de New Hampshire, Haley foi enfática:

— Não faço o que ele me diz para fazer. Nunca fiz o que ele me diz — disse Haley, que foi escolhida por Trump para ser embaixadora dos EUA nas Nações Unidas.

Trump, por sua vez, em entrevista a uma rádio americana antes dos resultados serem divulgados, afirmou que não esperava que Haley desistisse tão cedo. Mas, acrescentou, não “vê um caminho” para ela ganhar a indicação do partido.

Questionado sobre como conseguiria que os apoiantes de Haley, que se opõem firmemente à sua candidatura, o apoiassem nas eleições gerais, afirmou:

— Todos votarão em mim — acrescentando que pensa que a insatisfação com o presidente Joe Biden os influenciará.

Na véspera, Trump terminou o dia em um comício, em um resort na cidade de Laconia, ao lado de três pré-candidatos que, como DeSantis, abandonaram o jogo anteriormente para apoiá-lo: o empresário Vivek Ramaswamy, o ex-governador de Dakota do Norte Doug Burgum, e o senador Tim Scott, da mesma Carolina do Sul de Haley. Faltou o governador da Flórida, mas a foto armada pela campanha de Trump tem leitura óbvia: busca mostrar a união do Partido Republicano em torno do ex-presidente.

Pouco antes da demonstração de força, Trump compareceu a uma corte de Nova York para se defender da acusação de difamar a escritora E. Jean Carroll. Em maio, um júri o considerou culpado de abusar sexualmente da jornalista, a quem depois acusou de mentir sobre o fato. Nada, no entanto, parece diminuir seu prestígio com os eleitores republicanos (com New York Times).

Com informações de O Globo.

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