O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcou neste sábado (25) para a Malásia e afirmou que poderá reduzir as tarifas impostas ao Brasil “diante das circunstâncias corretas”. O republicano disse ainda que deve se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Kuala Lumpur.
Segundo áudio divulgado pela Casa Branca, Trump declarou que pretende retomar o diálogo com o líder brasileiro. “Eu acredito que vamos nos encontrar de novo. Nos encontramos na [Assembleia Geral das] Nações Unidas, brevemente”, afirmou o presidente americano antes de embarcar. Questionado sobre a tarifa geral de 50% aplicada a produtos brasileiros, ele respondeu que a revisão dependerá do resultado das conversas.
Crise econômica pressiona Washington
O chamado “tarifaço” de 50% contra produtos brasileiros foi adotado pelo governo Trump por motivos econômicos e políticos, sob a justificativa de que o Brasil persegue o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A medida, no entanto, começou a gerar efeitos negativos também nos Estados Unidos.
Um dos setores mais afetados é o de carnes, no qual o Brasil tinha papel importante no fornecimento. A redução das importações fez os preços dos cortes subirem a níveis recordes, agravando a crise de abastecimento e pressionando a inflação alimentar americana.
De acordo com informações do portal Metrópoles, nem o governo brasileiro nem o norte-americano confirmaram oficialmente o encontro entre Lula e Trump, mas ambos deixaram suas agendas livres para uma eventual reunião. A conversa pode ocorrer no fim da tarde de domingo (26) no horário local, equivalente ao início da manhã no Brasil.
Lula busca reverter sanções e defender exportações
Antes de chegar à Malásia, Lula passou pela Indonésia, onde reforçou o desejo de dialogar com Trump. O presidente afirmou que não vetará nenhum tema e pretende discutir tanto as tarifas comerciais quanto as punições impostas por Washington a membros do governo e do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Se eu não acreditasse que é possível chegar a um acordo, eu não faria reunião”, declarou Lula. O petista disse que pretende “recolocar a verdade na mesa”, argumentando que os EUA não são deficitários nas trocas com o Brasil. “Tenho toda disposição de defender os interesses do Brasil e mostrar que houve equívoco nas taxações. Eu quero provar isso com números”, completou.
Lula também pretende usar a inflação de alimentos como argumento de negociação. “Não há nenhum sentido a gente tomar medidas que possam prejudicar alguém. O presidente Trump sabe que o preço da carne lá está muito alto, é preciso baixar o preço da carne, sabe que o cafezinho vai ficando caro”, afirmou.






Deixe um comentário