Após meses de atritos e sanções econômicas, Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump têm previsão de um encontro decisivo neste domingo (26) na Malásia, durante a cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático). A reunião, cercada de expectativas, será o primeiro grande teste do diálogo entre Brasil e Estados Unidos desde a pior crise diplomática em dois séculos. O pano de fundo é um cenário global tenso, marcado por guerras, disputas comerciais e rearranjos geopolíticos.
Tarifaço e negociações comerciais no centro da pauta
O principal tema do encontro será o tarifaço imposto pelos EUA sobre exportações brasileiras. Trump, em entrevista a bordo do Air Force One, sinalizou pela primeira vez a possibilidade de rever as tarifas “sob as circunstâncias certas”. Lula, por sua vez, declarou estar otimista: “Vim com disposição de encontrar uma solução. Trabalho com otimismo, e acredito que teremos um bom resultado.” O Planalto vê o diálogo como chance de reduzir barreiras e reconstruir pontes após meses de sanções econômicas.
Assuntos delicados: sanções, Venezuela e segurança global
Além da questão comercial, o encontro pode abordar sanções americanas contra autoridades brasileiras e a pressão de Washington sobre o governo da Venezuela. Lula pretende se posicionar como mediador regional e propor soluções diplomáticas para os conflitos sul-americanos. Fontes diplomáticas afirmam que o presidente brasileiro deseja reforçar o papel do país como articulador da paz na América Latina, equilibrando relações com os EUA sem romper laços com parceiros estratégicos como China e Rússia.
Lula quer convite a Trump para COP30 em Belém
O brasileiro também deve reiterar o convite para que Trump participe da COP30, no Pará, em novembro. A ideia é mostrar alinhamento em temas ambientais e abrir espaço para cooperação internacional. Paralelamente, Lula quer discutir o uso de moedas locais nas transações entre países do Brics — ponto que irrita Washington, que teme enfraquecimento do dólar. Segundo assessores, o presidente explicará que a medida visa reduzir custos e não representa afronta à moeda americana.
Especialistas pedem cautela e diálogo pragmático
Analistas alertam para o caráter imprevisível do encontro. O ex-embaixador Rubens Barbosa recomenda prudência: “O mais sensato é ouvir o que Trump tem a dizer antes de propor qualquer mediação.” Já Lucas Martins, pesquisador da Temple University, avalia que os EUA podem usar as tarifas como instrumento de pressão para obter alinhamento político. Ainda assim, há expectativa de que ambos os líderes adotem um tom mais pragmático e evitem choques diretos.
Expectativa e simbolismo político
O encontro, à margem da cúpula da Asean, deve ocorrer no fim da tarde (horário da Malásia), manhã do Brasil. É visto como tentativa de reaproximação entre dois governos de perfis opostos, mas conscientes da importância estratégica da cooperação bilateral. Para observadores internacionais, o resultado da conversa entre Lula e Trump poderá influenciar não apenas o comércio entre Brasil e EUA, mas também o equilíbrio político na América do Sul e o papel do país nas negociações globais.






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