Os Estados Unidos não enviarão representantes de alto escalão para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que começa na próxima semana em Belém (PA). A informação foi divulgada pela agência AFP e confirmada pela Reuters, com base em declarações de um funcionário da Casa Branca sob condição de anonimato. Segundo ele, “o presidente Donald Trump já deixou claras as posições de seu governo sobre a ação climática multilateral”.
A ausência de Trump já era esperada na cúpula de líderes, marcada para os dias 6 e 7 de novembro, mas até o fim de semana havia expectativa de que os Estados Unidos enviassem algum tipo de delegação técnica para as negociações que se iniciam no dia 10. Agora, segundo as agências internacionais, nem isso deve ocorrer — uma decisão que reforça o distanciamento de Washington das discussões globais sobre o clima.
Postura negacionista
No mês passado, durante a Assembleia Geral da ONU, Trump voltou a desdenhar das preocupações ambientais, chamando as mudanças climáticas de “a maior farsa do mundo”. No mesmo discurso, o republicano defendeu o uso do carvão, uma das fontes mais poluentes de energia, e atacou políticas ambientais de países que investem em energias renováveis.
“O presidente está dialogando diretamente com líderes de todo o mundo sobre questões energéticas, como mostram os acordos comerciais e de paz recentes, com foco em parcerias na área de energia”, afirmou outro funcionário da Casa Branca, em resposta por e-mail à Reuters.
Impacto nas negociações
A ausência americana muda o tom político da conferência. Analistas ouvidos pelas agências afirmam que, paradoxalmente, a decisão pode facilitar o avanço das negociações em Belém. Como as deliberações da COP são baseadas no consenso entre os países, havia receio de que a presença de Trump e o peso da economia dos Estados Unidos pudessem travar acordos sobre metas de redução de emissões e financiamento climático.
Sem a influência direta de Washington, especialistas acreditam que os países poderão propor metas mais ousadas nos eixos de transição energética, perdas e danos e financiamento de políticas verdes. Ainda assim, a ausência dos Estados Unidos — segundo maior emissor de gases de efeito estufa do mundo — tende a enfraquecer a capacidade global de implementação dessas metas, que dependem fortemente do aporte financeiro e tecnológico norte-americano.
Lula e a diplomacia climática
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia convidado Trump para participar da COP30 durante uma recente reaproximação diplomática, vista como tentativa de manter o diálogo bilateral em temas comerciais e ambientais. O convite, no entanto, foi ignorado pela Casa Branca.
Com a ausência dos EUA, a conferência tende a destacar a liderança de países como Brasil, União Europeia e China, que vêm pressionando por compromissos mais concretos de financiamento para nações em desenvolvimento e ações imediatas contra o aquecimento global.
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