Governo federal decreta GLO em Belém durante a COP30

Ação envolve Forças Armadas em Belém, Altamira e Tucuruí durante a conferência do clima e inclui proteção de usinas e portos estratégicos

O governo federal decretou, nesta segunda-feira (3), uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em Belém, no Pará, durante a realização da COP30, conferência das Nações Unidas sobre mudança climática. A medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e publicada no Diário Oficial da União, autoriza a atuação das Forças Armadas em áreas estratégicas da capital e de outras cidades do estado, como Altamira e Tucuruí.

O decreto prevê que a GLO permanecerá em vigor até o dia 23 de novembro, cobrindo todo o período da conferência — que ocorre entre 10 e 21 de novembro — e também o encontro prévio de chefes de Estado e de governo, programado para os dias 6 e 7.

Além de Belém, as Forças Armadas atuarão em regiões que abrigam infraestruturas críticas, como as usinas hidrelétricas de Belo Monte e Tucuruí, consideradas vitais para o sistema energético nacional.

Ação excepcional para reforçar segurança e logística

De caráter excepcional e temporário, a GLO é acionada em situações que exigem reforço das forças de segurança pública. Na prática, ela confere poder de polícia às Forças Armadas, permitindo ações preventivas e repressivas para garantir a ordem e a proteção de autoridades e instalações estratégicas.

Medidas semelhantes já foram adotadas em grandes eventos internacionais sediados no Brasil, como a Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 e as cúpulas do Brics e do G20.

O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), foi o responsável por solicitar a operação ao governo federal. O pedido foi feito há cerca de três meses, dentro do planejamento de segurança que vem sendo estruturado para a conferência. O efetivo total durante o evento deve reunir cerca de 9 mil profissionais de segurança.

Áreas estratégicas sob vigilância

O decreto presidencial determina que as Forças Armadas realizem ações integradas com o plano estratégico de segurança da presidência brasileira da COP30. As operações incluirão o controle e monitoramento de áreas consideradas sensíveis, como o Porto de Belém, o Porto de Outeiro, o Terminal Petroquímico de Miramar e o Aeroporto Internacional da capital paraense.

Os militares também deverão atuar nas vias de deslocamento entre o Parque da Cidade, sede principal do evento, e os locais de hospedagem e recepção das delegações, além de exercer patrulhamento em rios e baías da região metropolitana.

Caberá ao ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, coordenar a operação e definir os comandos responsáveis, em articulação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e com os órgãos locais de segurança.

COP30: atenção máxima em Belém

A decisão do governo ocorre em meio a uma ampla mobilização de forças federais e estaduais para garantir a segurança de chefes de Estado, ministros, delegações estrangeiras e organizações internacionais que participarão da COP30. O evento, que deve reunir mais de 50 mil pessoas, será o maior encontro diplomático já realizado na região Norte do país.

Belém se prepara há mais de um ano para receber a conferência e enfrenta desafios logísticos e de infraestrutura, como o alto custo e a escassez de hospedagem, além de ajustes em mobilidade urbana e transporte público.

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