O líder indígena Raoni Metuktire, uma das figuras mais respeitadas da defesa dos povos originários e da preservação da Amazônia, voltou a ser internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, no norte de Mato Grosso. Aos 94 anos, o cacique apresentou uma piora significativa de seu quadro clínico nos últimos dias, exigindo atendimento médico especializado e monitoramento permanente.
Segundo informações divulgadas pela unidade hospitalar, Raoni foi admitido no hospital no fim da tarde de domingo (15), após ser transferido por transporte aéreo da região de Peixoto de Azevedo, onde estava em sua residência cercado por familiares, lideranças indígenas e pajés de seu povo.
A equipe médica informou que o estado de saúde do cacique demanda cuidados intensivos e acompanhamento ininterrupto por profissionais de diferentes especialidades.
Sintomas se agravaram ao longo do fim de semana
De acordo com familiares e cuidadores, os primeiros sinais de agravamento surgiram ainda na manhã de sábado (14), quando Raoni apresentou um episódio de vômito.
Nas horas seguintes, o quadro evoluiu de forma preocupante. No domingo, ocorreram novos episódios de vômito, acompanhados de tosse persistente, dores abdominais e expectoração com pequena quantidade de sangue.
Os relatos indicam que o líder indígena conseguiu se alimentar apenas pela manhã. Ao longo do restante do dia, deixou de ingerir alimentos em razão do desconforto abdominal e da intensificação dos sintomas.
Diante da deterioração do estado geral e da persistência das manifestações clínicas, familiares e equipe de apoio decidiram providenciar sua remoção aérea para Sinop.
Exames apontam quadro infeccioso grave
Ao chegar ao Hospital Dois Pinheiros, Raoni apresentava sinais considerados preocupantes pelos médicos.
Entre os sintomas observados estavam desidratação, sonolência intensa, abdome distendido e ausência de diurese, quadro que levantou preocupação quanto ao funcionamento renal.
A equipe médica iniciou imediatamente uma ampla investigação diagnóstica, envolvendo exames laboratoriais e de imagem.
Foram realizados exames de sangue, hemoculturas, gasometria arterial e tomografias de crânio, tórax e abdome.
Os primeiros resultados apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave.
Segundo os médicos, a principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar secundária a uma pneumonia broncoaspirativa, possivelmente relacionada aos episódios de vômito registrados nos últimos dias.
Além disso, a tomografia abdominal identificou um quadro de suboclusão gástrica, condição que também passou a ser acompanhada pela equipe assistencial.
Tratamento intensivo
O cacique permanece internado na UTI sob monitoramento contínuo.
O tratamento inclui hidratação venosa, administração de antibióticos de amplo espectro e medidas de suporte intensivo destinadas a controlar a infecção e estabilizar as funções vitais.
Familiares seguem em contato permanente com os profissionais responsáveis pelo atendimento e acompanham de perto a evolução do quadro clínico.
Até o momento, o hospital não divulgou previsão sobre a duração da internação.
Nova internação ocorre semanas após alta
O agravamento da saúde de Raoni acontece pouco mais de três semanas após sua última alta hospitalar.
Em maio, o líder indígena permaneceu cinco dias internado na mesma unidade em razão de problemas respiratórios que também exigiram tratamento intensivo.
Na ocasião, ele recebeu alta em condição considerada estável e retornou para casa por transporte aéreo, acompanhado por familiares e equipe médica.
O Hospital Dois Pinheiros informou, à época, que a recuperação havia sido satisfatória.
“Durante a internação, permaneceu sob monitoramento intensivo e acompanhamento multiprofissional contínuo, com melhora progressiva do quadro respiratório e gastrointestinal, incluindo resolução do desconforto abdominal previamente apresentado. Evoluiu com estabilidade clínica, encontrando-se assintomático, afebril, hemodinamicamente estável e com boa aceitação alimentar no momento da alta”, informou o hospital.
Após deixar a unidade, a recomendação médica era para que permanecesse em acompanhamento domiciliar, com monitoramento constante de sua condição respiratória e uso regular das medicações prescritas.
Problemas de saúde se intensificaram em maio
Os episódios recentes fazem parte de uma sequência de intercorrências médicas enfrentadas pelo líder indígena nas últimas semanas.
No início de maio, Raoni já havia sido hospitalizado para tratamento de uma hérnia crônica. Em razão da internação, compromissos e atividades públicas foram suspensos pelo Instituto Raoni.
Após receber alta, voltou a apresentar indisposição poucos dias depois e precisou ser atendido inicialmente na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Peixoto de Azevedo.
Posteriormente, foi encaminhado ao Hospital Regional do município e, por solicitação da família, transferido para o Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, onde permaneceu sob observação médica.
Referência mundial na defesa dos povos indígenas
Reconhecido internacionalmente, Raoni Metuktire é considerado uma das principais lideranças indígenas do planeta. Ao longo de décadas, tornou-se símbolo da luta pelos direitos dos povos originários e da preservação da floresta amazônica.
Sua atuação ultrapassou as fronteiras do Brasil, levando a pauta indígena a fóruns internacionais e encontros com chefes de Estado, ambientalistas e organizações globais.
A nova internação mobilizou familiares, lideranças indígenas e apoiadores em diversas regiões do país, que acompanham com preocupação as atualizações sobre seu estado de saúde.
Enquanto a equipe médica trabalha para estabilizar o quadro, a expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para avaliar a resposta do organismo do cacique ao tratamento intensivo.





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