Trump intensifica provocações ao Irã e publica imagem do Estreito de Ormuz como ‘novo território dos EUA’

Presidente estadunidense argumenta que Washington controla passagem estratégica por meio do bloqueio, embora região esteja situada entre Irã e Omã

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou nesta terça-feira (18) o tom da disputa em torno do Estreito de Ormuz ao publicar nas redes sociais uma imagem que apresenta uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta como “Novo Território dos EUA”.

A publicação foi feita na Truth Social e mostra um mapa com o Estreito de Ormuz destacado e circundado, acompanhado da indicação de que a região seria um novo território dos EUA. A postagem não representa, por si só, qualquer mudança reconhecida na soberania sobre a área.

Localizado entre o Irã e Omã, na entrada do Golfo Pérsico, o estreito tornou-se um dos principais focos da escalada entre Washington e Teerã. Sua importância ultrapassa a disputa territorial: a passagem é uma das principais artérias mundiais para o transporte marítimo de petróleo e outros produtos energéticos.

A postagem ocorre um dia depois de Trump defender publicamente a ideia de declarar a região território estadunidense. Questionado por jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, o republicano argumentou que os Estados Unidos já exerceriam controle sobre a passagem por causa do bloqueio.

“Quero dizer que nós o controlamos”, declarou o mandatário aos repórteres. “Nós o controlamos com o bloqueio, e gosto da ideia de declará-lo um território”, insistiu o presidente.

Ormuz vira peça central no conflito

A declaração de Trump amplia a disputa política e militar envolvendo uma região que se transformou em peça fundamental do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Desde o início dos combates, no fim de fevereiro, o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz sofreu fortes restrições. Teerã efetivamente fechou a passagem, afetando uma rota responsável por parcela significativa da circulação internacional de petróleo.

A importância estratégica da hidrovia explica por que qualquer ameaça à liberdade de navegação produz efeitos que ultrapassam imediatamente as fronteiras do Oriente Médio.

Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, posteriormente, ao Mar da Arábia. É por esse caminho que importantes produtores da região transportam petróleo e gás destinados aos mercados internacionais.

Com a guerra, o controle da navegação passou a funcionar também como instrumento de pressão política e econômica.

Trump já havia defendido declaração territorial

A imagem publicada nesta terça-feira representa uma nova etapa na retórica adotada por Trump sobre o estreito.

Na segunda-feira (17), o presidente já havia dito que considerar a passagem como território dos Estados Unidos seria uma “ótima ideia”.

Ao ser confrontado com declarações anteriores sobre a possibilidade de colocar Ormuz sob jurisdição dos EUA, Trump reafirmou a posição e argumentou que o bloqueio permitiria aos Estados Unidos exercer controle sobre a região.

A reivindicação, entretanto, enfrenta uma questão geográfica e jurídica fundamental: o estreito está localizado entre Irã e Omã, países que possuem águas territoriais na região.

Por isso, uma publicação nas redes sociais ou uma declaração unilateral da Casa Branca não modifica automaticamente o status jurídico da hidrovia.

Nenhum dos lados tem controle absoluto

Apesar das afirmações feitas por Trump e das medidas adotadas pelo Irã sobre o tráfego marítimo, especialistas apontam que nenhum dos dois países possui controle absoluto sobre toda a passagem.

A própria localização geográfica torna a situação complexa. O estreito possui trechos vinculados às águas territoriais iranianas e omanenses, enquanto sua utilização para a navegação internacional está relacionada a regras específicas do direito marítimo.

Nesse contexto, existe uma diferença entre conseguir restringir militarmente o tráfego de embarcações e possuir soberania reconhecida sobre a região.

A publicação de Trump ocorre justamente quando a situação no estreito se deteriora. Nesta terça-feira, uma embarcação que deixava Ormuz foi atingida por um “projétil desconhecido”, segundo o UK Maritime Trade Operations (UKMTO), órgão britânico de monitoramento marítimo.

O impacto provocou danos na casa de máquinas e deixou uma vítima entre os tripulantes. A responsabilidade pelo ataque não havia sido reivindicada.

Rota tem peso decisivo para petróleo mundial

A disputa por Ormuz tem consequências econômicas porque a região está diretamente ligada ao abastecimento energético internacional.

Antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo bruto comercializado globalmente passava pela via marítima.

As restrições impostas desde o início do conflito reduziram drasticamente a movimentação de embarcações, provocando preocupação com a oferta internacional de energia e pressionando os preços do petróleo.

O cenário se tornou ainda mais incerto com o impasse diplomático entre Washington e Teerã sobre as condições necessárias para restabelecer a circulação.

O Irã condiciona a normalização do tráfego a uma série de medidas dos Estados Unidos, enquanto Trump vem ampliando a pressão sobre o governo iraniano e descartando concessões que possam ser interpretadas como recuo.

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