O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evitou se comprometer com a criação de um Estado palestino, afastando-se de uma das principais propostas defendidas pela comunidade internacional para alcançar a paz duradoura no Oriente Médio. Questionado sobre o tema durante uma entrevista coletiva a bordo do Air Force One, ao retornar do Egito para os EUA, Trump respondeu: “Teremos que ver”.
Segundo o colunista Jamil Chade, do portal UOL, a declaração foi feita após o estadunidense assinar um acordo de paz que, segundo ele, pôs fim a dois anos de combates em Gaza. O tratado, no entanto, não menciona a criação de um Estado palestino, nem faz referência à chamada solução de dois Estados — modelo defendido por mais de 140 países que já reconheceram formalmente a soberania palestina.
Foco na reconstrução de Gaza
Ao ser questionado novamente sobre o tema, Trump insistiu que seu foco, neste momento, é a reconstrução da Faixa de Gaza. “Não estou falando de um único Estado, dois Estados ou dois Estados”, disse. “Muitas pessoas gostam da solução de um Estado, algumas pessoas gostam da solução de dois Estados. Teremos que ver”, afirmou.
Segundo ele, qualquer decisão sobre o futuro político da região deverá ser tomada em conjunto com “parceiros regionais e internacionais”. O governo de Israel, por sua vez, já reiterou ser contrário ao reconhecimento da soberania palestina.
Discurso conciliador e reação palestina
Durante discurso no Egito, antes de retornar aos Estados Unidos, Trump adotou um tom conciliador ao defender o encerramento das hostilidades e apelar pela superação de divisões históricas. “Temos uma chance única de deixar para trás as velhas rixas e ódios amargos”, declarou. O presidente dos EUA pediu ainda que os líderes “declarem que nosso futuro não será governado pelas lutas de gerações passadas”.
Entre representantes palestinos, as falas foram interpretadas como um possível sinal de que antigos modelos de negociação — como o direito ao retorno de milhões de refugiados e a criação de um Estado palestino independente — não estão no radar de prioridades de Trump.
O plano de paz de 20 pontos apresentado pelo republicano na semana passada também não menciona a desocupação de terras palestinas, tema central das reivindicações históricas do povo palestino.
Abbas volta ao diálogo, mas desconfiança permanece
Um dos momentos mais simbólicos da passagem de Trump pelo Egito foi a reaproximação com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Os dois conversaram de forma amistosa, um gesto diplomático relevante após anos de atrito.
Abbas havia sido impedido de viajar aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral da ONU, depois que Trump se recusou a conceder-lhe visto. Em participação por videoconferência, o líder palestino defendeu que o mundo reconheça formalmente o Estado da Palestina e reiterou que “a paz só virá com a solução a dois Estados”.
Apesar do gesto diplomático, ainda há incerteza sobre o papel que a Autoridade Palestina poderá desempenhar na reconstrução de Gaza. Fontes ligadas à negociação indicam que esse reconhecimento dependerá da retirada de todas as acusações contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nos tribunais internacionais.






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