O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (26) que o presidente argentino Javier Milei recebeu “muita ajuda” de Washington para assegurar a vitória de seu partido nas eleições legislativas de meio de mandato. O governo dos EUA teria oferecido um pacote de resgate econômico estimado em até US$ 40 bilhões, destinado a fortalecer Milei politicamente antes da votação.
Durante viagem pela Ásia, Trump comemorou o resultado nas urnas, classificando-o como “grande” e “inesperado”. “Ele teve muita ajuda nossa. Muita ajuda. Eu o apoiei — uma recomendação muito forte”, declarou o republicano, ao creditar parte do sucesso ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, responsável pela supervisão da assistência financeira à Argentina.
O líder estadunidense reforçou que a iniciativa reflete o interesse renovado de Washington pela região. “Estamos firmes com vários países da América do Sul. Damos muita atenção à América do Sul”, afirmou.
O resultado das urnas garantiu a Milei maioria nas duas casas do Congresso, consolidando apoio para avançar com suas reformas econômicas ultraliberais, que incluem cortes drásticos de gastos públicos e privatizações.
Detalhes do pacote de resgate
Segundo Trump, o pacote de apoio oferecido à Argentina foi composto por duas partes principais: um swap cambial de US$ 20 bilhões, já assinado entre os dois países, e uma proposta adicional de fundo de investimento de mais US$ 20 bilhões voltada à compra de dívidas argentinas.
“Ganhamos muito dinheiro com essa eleição, porque os títulos subiram. Toda a classificação de risco da Argentina melhorou”, comemorou o presidente, ressaltando, contudo, que “os EUA não estão nisso apenas pelo dinheiro”.
A declaração foi reforçada por Scott Bessent, que acompanha Trump na viagem pela Ásia. O secretário do Tesouro descreveu o pacote como uma “ponte” para sustentar o programa econômico de Milei. “Ele está enfrentando 100 anos de políticas ruins. Ele vai quebrar esse ciclo graças ao apoio dos Estados Unidos”, disse Bessent a jornalistas.
Mercado reage e Fitch evita rebaixamento
A agência de classificação de risco Fitch Ratings informou na última quarta-feira que o apoio financeiro dos EUA aos mercados argentinos evitou um rebaixamento imediato da nota de crédito do país. Apesar disso, a Fitch alertou que Buenos Aires ainda precisa elaborar um plano mais amplo de reconstrução das reservas internacionais e de estímulo ao crescimento sustentável antes de receber uma melhora na avaliação.
De acordo com analistas, o pacote estadunidense contribuiu para estabilizar o câmbio e melhorar a percepção de investidores estrangeiros em relação à Argentina, reduzindo o risco de colapso financeiro em meio à desaceleração da economia e à queda da popularidade do governo.
Resultados das eleições legislativas
As eleições de meio de mandato na Argentina renovaram cerca de metade da Câmara dos Deputados — 127 das 257 cadeiras — e um terço do Senado — 24 das 72 cadeiras. Com 99% das urnas apuradas, o partido de Javier Milei conquistou 64 das 127 cadeiras em disputa na Câmara e 13 das 24 no Senado.
A principal coalizão de oposição, o Força Pátria, obteve 31 cadeiras na Câmara e 6 no Senado. Somando os aliados, o bloco peronista garantiu 44 assentos na Câmara e 7 no Senado.
Em discurso a apoiadores em Buenos Aires, Milei celebrou o resultado como um divisor de águas na política argentina. “Foi um dia histórico para a Argentina. O povo argentino resolveu deixar para trás 100 anos de decadência e persistir no caminho da liberdade, do progresso e do crescimento. Hoje começa a construção da Argentina grande”, declarou o presidente, aplaudido por militantes e parlamentares eleitos.






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