Trump defende prisão do prefeito de Chicago e do governador de Illinois em crescente crise política

Presidente prepara intervenção militar em estados que desafiam sua agenda contra imigrantes

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nesta sexta-feira (8) seus ataques contra líderes democratas, defendendo a prisão do prefeito de Chicago, Brandon Johnson, e do governador de Illinois, JB Pritzker. Chicago é a terceira maior cidade norte-americana.

As declarações foram feitas em meio a uma disputa sobre o envio de tropas da Guarda Nacional para conter protestos contra o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). As informações são da AFP e do New York Times.

Trump afirmou em sua rede Truth Social que Johnson e Pritzker “deveriam estar na cadeia por não proteger os agentes do ICE”. A declaração reacendeu o confronto entre o governo federal e administrações estaduais que se recusam a colaborar com as medidas anti-imigração promovidas pela Casa Branca.

O republicano já havia sugerido, dias antes, que poderia invocar a Lei de Insurreição — um instrumento do século XIX que permite o uso de forças militares em território americano — para intervir em estados e cidades que desafiem sua autoridade.

Disputa sobre a soberania dos estados

O impasse ganhou força em Illinois, onde autoridades locais tentam impedir judicialmente a entrada das tropas federais. Advogados do Condado de Cook, que inclui Chicago, apresentaram um pedido à Justiça para bloquear o envio dos militares, argumentando que a medida representa uma “invasão da soberania estadual e local” e pode aumentar o medo da população. Uma audiência sobre o caso está marcada para este sábado.

Apesar da resistência, o governo federal manteve a decisão de enviar contingentes da Guarda Nacional à região. Segundo o Pentágono, o objetivo é proteger agentes federais de imigração, e não substituir as forças policiais locais. Mesmo assim, governadores e prefeitos democratas acusam Trump de usar o Exército para intimidar adversários políticos e militarizar as cidades.

Expansão das ações federais

Trump também planeja deslocar tropas do Texas e da Califórnia para Oregon e Illinois, dois estados onde os protestos contra o ICE se tornaram mais intensos. No Oregon, uma decisão judicial já barrou a intervenção federal, alegando ausência de justificativa prática. Em Illinois, Pritzker tentou obter decisão semelhante, mas o tribunal rejeitou o pedido. O governador classificou a operação como uma “invasão inconstitucional” do governo central.

Em resposta, o prefeito Brandon Johnson anunciou que propriedades municipais serão transformadas em “zonas livres do ICE”, fora do alcance das autoridades federais. “Eles estão buscando uma revanche da Guerra Civil”, declarou Johnson, acusando Trump e aliados republicanos de promoverem perseguições políticas e raciais.

Pressão sobre opositores e imprensa

Paralelamente, Trump tem ampliado sua ofensiva contra adversários. Ele retirou proteções de segurança de ex-membros de seu governo que enfrentam ameaças do Irã e ameaça fazer o mesmo com o ex-presidente Joe Biden. O republicano também já revogou autorizações de segurança de jornalistas considerados críticos à sua gestão.

Altos funcionários federais, como Kash Patel, diretor do FBI, e Kristi Noem, secretária de Segurança Interna, viajaram a Chicago e Portland nesta semana para acompanhar a situação. A governadora do Oregon, Tina Kotek, afirmou após a reunião: “Não há insurreição no meu estado”.

A escalada entre o governo federal e as administrações estaduais democratas aprofunda a polarização política nos Estados Unidos, às vésperas do novo ciclo eleitoral. Enquanto Trump insiste em apresentar o país como “sob ataque de criminosos estrangeiros”, seus críticos o acusam de usar a máquina pública para consolidar um regime autoritário.

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