O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu nesta sexta-feira (14) acatar um recurso da Eletronuclear e suspender o embargo à construção da usina Angra 3. A construção, embargada pela Prefeitura de Angra dos Reis em abril de 2023 devido a alegadas alterações no projeto original que violavam o acordo urbanístico, agora poderá prosseguir.
A Eletronuclear destacou a importância da obra para o sistema elétrico nacional e para a região de Angra dos Reis, onde a usina gerará empregos, renda e oportunidades.
No entanto, a continuação das obras ainda depende de estudos solicitados durante a privatização da Eletrobras, incluindo a modelagem da nova tarifa da usina, necessária para arrecadar os R$ 20 bilhões estimados para finalizar o projeto. Este processo está sendo conduzido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Iniciada em 1981, Angra 3 já custou R$ 7,8 bilhões e necessita de mais R$ 20 bilhões para ser concluída, conforme a Eletronuclear. A construção foi interrompida várias vezes devido à falta de financiamento, rescisões de contratos e investigações de corrupção. Atualmente, a usina está 62% concluída, mas as obras estão paradas desde 2015, aguardando a revisão do financiamento. A inauguração da usina está prevista para 2028.
Angra 3 terá capacidade de 1,4 GW, suficiente para atender 4,5 milhões de pessoas. A Eletronuclear, controlada pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), estima que a participação da energia nuclear na matriz energética do país aumentará de 1,5% para 3% com a nova usina.
Em 2022, os planos para a usina foram retomados, com a licitação para a contratação da empresa responsável pela conclusão das obras prevista para este ano. Em maio de 2023, o Ministério de Minas e Energia (MME) reafirmou o interesse do governo na conclusão das obras de Angra 3, destacando a energia nuclear como uma alternativa viável na transição energética por não gerar emissões de gases de efeito estufa.
As obras foram interrompidas em 2015 após a descoberta de um esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, que resultou na prisão de executivos da Eletronuclear.
Com informações da Folha de S. Paulo.





