A prefeitura de Angra dos Reis embargou na quarta-feira (19) as obras de construção da usina nuclear de Angra 3. Segundo o prefeito de Angra, Fernando Jordão, a suspensão das obras se deu porque as mudanças no projeto urbanístico ficaram em desacordo com a proposta aprovada previamente pelo município.
Mario Reis, presidente do Instituto Municipal do Ambiente (Imaar) de Angra dos Reis, destacou que na construção foram realizados acréscimos de áreas de circulação, “tanto de forma horizontal quanto vertical” em uma das unidades da usina em construção.
Ele explicou que a Eletronuclear pediu a oficialização das mudanças do projeto urbanístico, o que está sendo analisado pela prefeitura. Enquanto isso, afirmou Reis, as obras seguem paralisadas. Em um primeiro momento, a empresa não será multada pela prefeitura.
O prefeito de Angra dos Reis afirmou também que a Eletronuclear havia assinado com o município termos de compromisso que envolvem valores da ordem de R$ 264 milhões. Tais compromissos não vêm sendo cumpridos pela Eletronuclear, disse Jordão ao Valor.
“Nós temos que resolver essas questões para que a gente possa dar o alvará de construção de Angra 3”, disse Jordão.
Reis explicou que esse montante corresponde a condicionantes estabelecidas pelo município desde a construção de Angra 2 e que estão em aberto.
Procurada pelo Valor, a Eletronuclear afirmou em nota que recebeu com surpresa a notificação de embargo das obras de Angra 3, emitida nesta quinta-feira (20). A companhia disse que não teve acesso à fundamentação do processo que originou a decisão da prefeitura e que, por isso, não pode se manifestar sobre o assunto.
“Vale lembrar que a Usina Nuclear Angra 3 é um empreendimento estratégico para o país e que já foram investidos mais de R$ 8,5 bilhões na obra (…) A conclusão da obra trará benefícios significativos para a economia local e para a população, por meio da geração de novos empregos, do aumento da arrecadação de impostos e do desenvolvimento de novos negócios e atividades econômicas”, disse a Eletronuclear no comunicado.
A Eletronuclear informou ainda que está em contato com as autoridades competentes para buscar esclarecimentos sobre a decisão da prefeitura de Angra dos Reis.
“Além disso, existe o empenho em resolver a situação da forma mais rápida e eficiente possível, para garantir a continuidade das obras e a entrega do empreendimento no prazo estabelecido”, concluiu.
As obras da usina foram retomadas em novembro do ano passado, com a concretagem da usina – ainda está prevista a realização de atividades como montagem eletromecânica e instalação de equipamentos considerados importantes da usina.
A construção de Angra 3 foi suspensa em 2015, com as investigações da “Operação Lava-Jato” que revelaram casos de corrupção em contratos envolvendo empreiteiras e executivos da Eletronuclear. A previsão é que a usina inicie operação comercial em 2028.





