Tremor antecedeu deslizamento que causou mortes em Juiz de Fora

Moradores relatam chão trepidando antes da tragédia; Defesa Civil alerta para mais chuva e bombeiros seguem buscas por desaparecidos

Moradores do Parque Jardim Burnier, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, relataram ter sentido o chão trepidar cerca de 24 horas antes do deslizamento que destruiu casas e deixou mortos e desaparecidos. A área é a mais afetada pelo temporal que atingiu a região nos últimos dias e segue mobilizando equipes de resgate.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, já são 30 mortes confirmadas — 24 em Juiz de Fora e seis em Ubá. No ponto mais crítico do deslizamento, um trecho da rua cedeu e aproximadamente 12 imóveis foram derrubados. As buscas por vítimas soterradas continuavam até a noite desta terça-feira (24).

Entre os desaparecidos estão cinco pessoas da mesma família, incluindo uma criança e dois adolescentes. Máquinas e equipes especializadas trabalham na retirada de lama e destroços, enquanto moradores acompanham o resgate com apreensão.

Relatos de tremor e estrondos assustaram moradores

Segundo testemunhas, o bairro já vinha enfrentando dias seguidos de chuva quando o solo começou a dar sinais de instabilidade. No domingo (22), moradores afirmam ter sentido o chão vibrar. Na noite de segunda-feira (23), dois fortes estrondos antecederam o desabamento das casas.

Há também relatos de que grandes pedras deslizaram e atingiram imóveis, agravando o impacto provocado pelo solo encharcado. Em alguns pontos, a água brota do chão e o terreno permanece movediço, aumentando o risco de novos deslizamentos.

A presença de um córrego próximo às residências atingidas é apontada como um dos fatores que contribuíram para a saturação do solo e para o colapso da encosta.

Alerta de chuva intensifica tensão durante resgates

Na tarde desta terça-feira, um novo alerta da Defesa Civil para mais chuvas na região provocou pânico entre moradores e equipes que atuam nas buscas. A previsão indica continuidade das precipitações pelo menos até sábado (28).

Rios que cortam a cidade estão carregados de lama e há marcas visíveis de deslizamentos em áreas elevadas. O cenário de destruição levou a prefeitura a decretar estado de calamidade pública, medida já reconhecida pelo governo federal.

Com isso, equipes da Defesa Civil Nacional foram enviadas para reforçar o atendimento emergencial e apoiar as autoridades locais nas ações de resposta ao desastre.

Desabrigados e impacto em toda a cidade

Segundo a administração municipal, ao menos 20 imóveis foram soterrados somente em Juiz de Fora. A Defesa Civil registrou 251 ocorrências relacionadas às chuvas.

As famílias que perderam suas casas foram encaminhadas para abrigos montados em escolas públicas da cidade. O atendimento inclui acolhimento, alimentação e assistência social.

Especialistas destacam que a combinação entre relevo com morros altos e uma rede de drenagem extensa favorece dois tipos de ocorrências simultâneas: o deslocamento de encostas e o transbordamento de rios.

Autoridades pedem evacuação de áreas de risco

O vice-governador de Minas Gerais reforçou o pedido para que moradores deixem imediatamente imóveis localizados em áreas com risco de deslizamento quando houver alerta.

Ele também defendeu o enfrentamento da ocupação irregular em encostas, apontada como um dos fatores que ampliam o impacto de tragédias durante eventos climáticos extremos.

Enquanto as buscas continuam, a cidade convive com o luto, o medo de novos deslizamentos e a mobilização de equipes para evitar que o número de vítimas aumente.

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