O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu 15 candidaturas nas eleições de 2026 em decisões relacionadas a suspeitas de vínculos com organizações criminosas. Entre os nomes estão a ex-deputada federal Cristiane Brasil (DC), registrada como Cristiane do Roberto Jefferson, e o Pastor Everaldo (Podemos), candidato a suplente de senador.
O balanço foi apresentado nesta segunda-feira (14), último dia previsto para o julgamento dos registros de candidatura. As medidas fazem parte da estratégia adotada pela Justiça Eleitoral para tentar reduzir a influência de organizações criminosas no processo eleitoral fluminense.
Além dos registros indeferidos, o TRE-RJ informou a transferência de 72 locais de votação espalhados por 20 municípios. Mais de 200 mil eleitores foram deslocados para áreas consideradas mais seguras.
Tribunal amplia conceito de organização criminosa
Uma das principais novidades adotadas pelo TRE-RJ nesta eleição foi a ampliação do conceito de organização criminosa capaz de fundamentar o indeferimento de um registro.
O tribunal passou a considerar a chamada “milícia de gravata”. Segundo a definição apresentada pela Justiça Eleitoral, diferentemente das milícias tradicionais, esses grupos não dependem necessariamente do uso de armas ou do controle ostensivo de territórios.
A atuação ocorreria por meio da infiltração nos poderes Executivo e Legislativo e da utilização da estrutura pública para controlar contratos e fraudar licitações. O entendimento que permitiu esse enquadramento foi aprovado pelo TRE-RJ por 4 votos a 3.
O Pastor Everaldo teve o registro indeferido por unanimidade por enquadramento nesse conceito e também por ausência de documentos. Seu filho, Filipe de Almeida, candidato a deputado federal pelo Podemos, também aparece entre os registros indeferidos classificados pelo tribunal nessa categoria.
Cristiane Brasil também tem registro indeferido
Cristiane Brasil, filha do ex-deputado Roberto Jefferson, concorria a uma vaga de deputada federal pelo DC. Ela integra o grupo de candidatos cujos registros foram indeferidos por suspeitas de associação a organizações criminosas.
Nesse mesmo grupo aparecem candidatos a deputado estadual, como Val Ceasa (PRD), Paulo Melo (União Brasil), Renato Machado (PT), Vandro Família (PSDB) e João Drumond (PRD), entre outros.
As decisões não significam necessariamente o encerramento definitivo das candidaturas. As defesas dos candidatos barrados podem recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.
Mais de 200 mil eleitores mudam de local
Outra frente da Justiça Eleitoral atingiu diretamente a organização da votação. O TRE-RJ transferiu 72 locais que estavam em regiões controladas ou disputadas por organizações criminosas. As mudanças atingem mais de 200 mil eleitores.
Do total, 44 locais estavam em áreas apontadas como controladas pelo Comando Vermelho. Essas seções atendiam cerca de 121 mil eleitores. Outros 17 locais, responsáveis pelo atendimento de aproximadamente 50 mil pessoas, estavam em regiões sob domínio do Terceiro Comando Puro (TCP).
A Justiça Eleitoral identificou ainda cinco locais em áreas controladas por milícias, quatro em Nova Iguaçu e um na capital, que recebiam cerca de 14 mil eleitores. Outros cinco estavam em regiões disputadas por diferentes grupos criminosos. Em Campos dos Goytacazes, um local situado em área atribuída à facção Amigo dos Amigos (ADA) também teve o endereço alterado.
O levantamento contou com a participação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e de setores de inteligência das polícias Civil, Militar e Federal.
Veja os 15 candidatos com registros indeferidos
Por associação a organizações criminosas
Deputado estadual:
- Vandro Família (PSDB)
- Val Ceasa (PRD)
- Renato Machado (PT)
- Diego José Alba (PSDB)
- João Drumond (PRD)
- Cristiano Santos Hermógenes (Avante)
- Vagner Mateus dos Santos, o Vaguinho Neguinho (PRD)
- Paulo Melo (União Brasil)
Deputada federal:
- Mariana de Souza (Federação União Progressista – PP)
- Cristiane Brasil, registrada como Cristiane do Roberto Jefferson (DC)
Por enquadramento em “milícia de gravata”
Deputado federal:
- Paulo Lomenha (Mobiliza)
- Marcos Muiler (Avante)
- Clébio Lopes Jacaré (União Brasil)
- Filipe de Almeida (Podemos), filho do Pastor Everaldo
Suplente de senador:
- Everaldo Pereira, o Pastor Everaldo (Podemos)
Os 15 nomes constam do levantamento divulgado sobre os registros indeferidos pelo TRE-RJ.







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