Nesta segunda-feira, 07/03, cerca de 40 mil estudantes da rede municipal de ensino de Petrópolis voltam às aulas.
Mas na Escola Municipal Vereador José Fernandes da Silva, no bairro do Alto da Serra, a volta será dolorosa: oito alunos perderam a vida, no temporal do último dia 15 de fevereiro. Sete deles foram soterrados por deslizamentos em suas casas. Evelyn Luiza Netto da Silva, de 11 anos, morreu no próprio colégio.
Na tarde daquela terça-feira, Evelyn estava em seu segundo dia de aula. Dentro da unidade, se dirigiu para a sala do 6º ano do ensino fundamental, no primeiro andar. No dia da tragédia, a escola foi cenário de uma das muitas imagens impressionantes produzidas na cidade: um vídeo mostrou as crianças deixando o local sujas de lama, indo em direção ao pronto-socorro logo ao lado. A escola fica em uma das faces do Morro da Oficina, o lugar da cidade mais afetado pela catástrofe.
O deslizamento que atingiu a escola destruiu completamente o pátio traseiro, onde ficava uma quadra de esportes. Lama e escombros avançaram e chegaram aos fundos do prédio, onde ficavam as salas de aula. Em duas delas, no primeiro andar, o impacto foi maior. Na hora da tragédia, crianças ficaram presas com lama até a cintura, o que não foi o caso de Evelyn. A menina conseguiu escapulir, mas, em busca de alguma proteção, foi atingida por uma parede que desabou com o peso do entulho.
O medo da volta
Quem passa pela frente da Escola Municipal Vereador José Fernandes da Silva, na Rua Teresa, vê a fachada intacta. Mas é só a fachada. Além do cenário de destruição, há a lembrança do sofrimento, das perdas, na cidade e ali mesmo. Professores e funcionários ainda não conseguem imaginar um retorno à rotina no endereço, que segue interditado. Os alunos e a equipe serão realocados para outras unidades da rede.
— Perdemos sete alunos em casa, crianças que estudaram de manhã e foram para suas casas. Então a gente pensa, e se esses tivessem ficado na escola, e se os 120 que estavam aqui não tivessem aula e estivessem em casa? O que teria acontecido? É devastador, a gente está tão acostumada com a rotina de chegar e ver todos aqueles sorrisos, como pensar que alguns não serão mais vistos? — pergunta a diretora e professora Luciane Fernandes.
— Durante a chuva, quando o Centro começou a encher, os pais entraram em contato de forma desesperada, mas enquanto estávamos aqui não deixamos as crianças saírem. Uma funcionária escreveu para o pais ficarem tranquilos.
Acreditamos que estivéssemos protegidos dentro da escola. Antes do último momento, me recordo de ter subido com outro diretor e passado nas salas para ver quem queria jantar antes de ir para casa. No que eu desci a escada, vimos a água da chuva descer e de repente veio aquele ‘bum’. Parecia uma onda do mar, só que preta, saiu arrastando todo mundo. Eu fui levada, uma merendeira puxou meu braço e me tirou. Nisso, a maioria correu para o pronto-socorro ao lado, e foi essa imagem que viralizou na internet — lembra a diretora.
Relembre o vídeo do dia da tragédia:
A avalanche que veio morro abaixo praticamente destruiu a escola, mas o prédio não foi condenado pela Defesa Civil.
* Com reportagem do Extra On Line






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