O governo federal se mobiliza para conter o avanço de desafios perigosos que circulam nas redes sociais, como o chamado “desafio do desodorante”, que levou à morte uma criança de apenas 8 anos no Distrito Federal. A informação foi publicada originalmente por Igor Gadelha, em Metrópoles.
De acordo com a reportagem, integrantes da Secretaria de Direitos Digitais do Ministério da Justiça devem se reunir com a Casa Civil na próxima terça-feira (22) para definir estratégias de enfrentamento ao problema. A iniciativa também mira acelerar no Congresso a tramitação de projetos voltados à segurança digital de crianças e adolescentes, como o Projeto de Lei Complementar (PLP) 26/2022, que trata da proteção e promoção dos direitos desse público vulnerável.
A comoção foi provocada pela morte de Sarah Raíssa Pereira de Castro (foto), uma menina de 8 anos, após inalar gás de desodorante em um suposto desafio reproduzido a partir de vídeos compartilhados em uma plataforma digital. O episódio ocorreu no dia 10 de abril, quando a criança deu entrada no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
Os médicos chegaram a realizar manobras de reanimação por cerca de uma hora, mas Sarah não reagiu aos estímulos. A morte cerebral foi confirmada no domingo, 13 de abril. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso por meio da 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia Centro), que tenta esclarecer como a menina teve acesso ao conteúdo do desafio.
Segundo o pai de Sarah, Cássio Maurílio, a família está devastada e cobra providências para evitar que novas tragédias como essa se repitam. “É um vazio inexplicável. Nenhum pai deveria enterrar uma filha por causa de algo tão absurdo”, disse, em declaração reproduzida pelo Metrópoles.
Responsabilidade das plataformas no centro do debate
A tragédia reacende o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais na circulação de conteúdos nocivos, especialmente entre o público infantil. Além disso, reacende discussões sobre a necessidade de educação digital nas escolas e maior controle parental sobre o uso da internet por menores de idade.
O governo espera aproveitar o retorno dos trabalhos legislativos para articular apoio à pauta da segurança online infantojuvenil. A mobilização inclui também campanhas de conscientização e diálogo com empresas de tecnologia.
A expectativa é que o encontro entre Ministério da Justiça e Casa Civil resulte em medidas concretas para prevenir novos casos, como o de Sarah, e fortaleça o debate público sobre o impacto das redes sociais na saúde e segurança das crianças brasileiras





