Os trabalhadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizaram, nesta terça-feira (15), uma paralisação de 24 horas em protesto contra diversas decisões tomadas pela presidência do órgão, atualmente sob a gestão do economista Marcio Pochmann. O principal ponto de insatisfação da categoria é a criação da fundação pública de direito privado denominada IBGE+, que teria o poder de comercializar pesquisas para o setor privado. Pela manhã, os trabalhadores organizaram uma manifestação no centro do Rio de Janeiro.
Segundo Bruno Perez, diretor do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE, a nova fundação comprometeria a autonomia da instituição e colocaria em risco a revisão das pesquisas realizadas pelo órgão. A categoria teme que o vínculo com o mercado privado interfira na imparcialidade dos estudos e estatísticas, fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas.
– Fomos avisados que essa fundação foi criada 2 meses depois de ter sido registrada em cartório, de forma totalmente sigilosa, sem conversar com ninguém. A gente avalia que traz muitos riscos. O IBGE tem uma reputação, um nome construído em quase 90 anos de história. É um processo de privatização, porque a fundação pode vender pesquisas para o setor privado. [Vai] Contratar funcionários por CLT, diferentemente do que ocorre hoje com os funcionários estatutários. A estabilidade é necessária para produção de dados confiáveis. Produzimos dados que podem incomodar os governos, como taxas de desemprego e inflação. É necessária a estabilidade para não sofrer pressão política. Essa fundação coloca em risco a produção de estatísticas que guiam a aplicação de políticas públicas no Brasil – alerta o diretor do sindicato.
A paralisação inclui outras insatisfações, como a possibilidade de transferência da unidade localizada na Avenida Chile, no centro da cidade, para a região do Horto, no prédio do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Essa e outras decisões são classificadas como autoritárias pelo sindicato, que acusa o presidente Marcio Pochmann de não conversar com a categoria, nem com outros membros da própria diretoria.
O sindicalista disse que caso não haja abertura de diálogo, os trabalhadores estudam fazer uma greve de mais dias, a ser decidida na próxima semana em assembleia.
Em nota, a direção do IBGE disse não ter sido avisada oficialmente sobre a greve de 24 horas dos servidores e que tomou conhecimento do ato apenas pela imprensa. “Nesse sentido, foi citada a Lei de Greve (Nº 7.783, de 28 de junho de 1989), sobre a obrigatoriedade de a representação sindical comunicar o empregador com antecedência mínima de 72 horas da paralisação”.
A nota diz ainda que cabe ao IBGE “zelar pela lei e o papel democrático das relações de trabalho, para a conclusão, a contento, do plano de trabalho referente ao exercício de 2024”.
Sobre as críticas ao “IBGE +”, foi emitida outra nota na noite de segunda-feira (14). Segundo a direção, as limitações orçamentárias atuais da empresa “requerem a reorganização das relações público-privadas no Instituto”.
Assim, segundo o IBGE, a nova fundação permitirá o recebimento de recursos “para atender a pesquisas ou projetos desenvolvidos com ministérios, bancos públicos e autarquias até hoje impossibilitadas por definição legal”.
Com informações da Agência Brasil.





