Crise no IBGE: diretores deixam cargos em protesto contra decisões de Pochmann

Falta de diálogo, criação de fundação e mudanças estruturais são alvos de críticas internas

A crise interna no IBGE se agravou com a saída de diretores insatisfeitos com a gestão de Márcio Pochmann, presidente do órgão. Após a diretora de Pesquisas, Elizabeth Hypolito, e o diretor-adjunto João Hallak Neto deixarem seus cargos, a previsão é que até o final do mês também saiam Ivone Batista e Patrícia Costa, responsáveis pela área de Geociências. A ausência de interlocução e decisões tomadas sem consulta ao Conselho Diretor foram apontadas como principais motivos.

Entre as decisões controversas está a criação da Fundação IBGE+, que, segundo críticos, foi implementada sem consulta à comunidade técnica ou ao Conselho Diretor. Para o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (Assibge), a fundação fragiliza o instituto ao abrir espaço para interesses privados na gestão de dados geoestatísticos.

Além disso, mudanças estruturais, como a transferência de servidores do Centro do Rio para o Horto Florestal — local considerado de difícil acesso —, e a cobrança de aluguel do sindicato por uma sala ocupada na Avenida Chile também geraram descontentamento. Essas medidas teriam sido comunicadas de forma abrupta, alimentando a percepção de desprezo pela participação dos quadros técnicos.

Decisões unilaterais e desgaste interno

Fontes internas relataram que decisões importantes eram tomadas e publicadas logo após reuniões, sem considerar contribuições do Conselho. Outro ponto de atrito é o uso da intranet do instituto, anteriormente destinada à troca de dados técnicos, mas agora direcionada à promoção institucional da presidência.

A ex-presidente do IBGE, Wasmália Bivar, destacou que a saída coletiva de diretores é um indicativo claro de insatisfação com a gestão:
— O presidente deveria lutar por mais recursos e não criar uma fundação que fragiliza o instituto. — afirmou.

Em nota, o IBGE informou que Gustavo Junger da Silva e Vladimir Gonçalves Miranda assumirão os cargos deixados por Elizabeth Hypolito e João Hallak Neto, respectivamente. O órgão não respondeu sobre os motivos das saídas.

Com informações de O Globo

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