A Argentina foi abalada nesta quinta-feira, 25, pela confirmação da morte de três jovens em um crime de extrema violência. Morena Verdi, de 20 anos, Brenda Del Castillo, de 20, e Lara Morena Gutiérrez, de 15, foram sequestradas, torturadas e assassinadas em um caso que ganhou contornos ainda mais cruéis: a sessão de tortura foi transmitida ao vivo em um perfil privado no Instagram.
As três estavam desaparecidas desde a sexta-feira, 19, quando foram vistas pela última vez em La Matanza, na região metropolitana de Buenos Aires. Os corpos só foram encontrados quase uma semana depois, enterrados em uma casa em Florencio Varela, também na Grande Buenos Aires, usada como ponto de tráfico de drogas.
Clima de horror e brutalidade
Segundo a investigação, as jovens foram atraídas a uma armadilha com a promessa de participar de um evento. Elas entraram em uma caminhonete e foram levadas até o imóvel onde foram espancadas e mutiladas. Uma das vítimas, Lara, teve os cinco dedos da mão esquerda cortados, além de parte da orelha.
O crime foi exibido em tempo real para cerca de 45 pessoas em uma conta restrita do Instagram. O líder do grupo criminoso, identificado como “Pequeno Jota e Julito”, de origem peruana e com aproximadamente 23 anos, teria afirmado durante a transmissão que aquele era o destino de quem roubava drogas. Ele segue foragido e é procurado pela polícia argentina.
Investigações e prisões
Até esta quinta-feira, 12 pessoas haviam sido presas, segundo o jornal argentino La Nación. Oito delas ainda não foram formalmente acusadas e podem ser liberadas. Os outros quatro detidos, entre eles duas mulheres, são investigados por triplo homicídio qualificado. Uma das suspeitas chegou a confessar que ela e o namorado foram responsáveis por limpar a cena do crime após as mortes.
O ministro da Segurança da Província de Buenos Aires, Javier Alonso, afirmou que as jovens tinham vínculos próximos com líderes do crime organizado no bairro de Flores, em Buenos Aires. Ele destacou que o assassinato serviu como “disciplinamento para as garotas, mas também para diferentes membros dessa organização criminosa”.
Revolta e protestos em Buenos Aires
A barbárie causou indignação em todo o país e provocou reação imediata de movimentos feministas e de direitos humanos. Organizações sociais convocaram um protesto para este sábado, 27, no centro de Buenos Aires, sob o lema: “Não há vítimas boas ou ruins, há feminicídios. Nenhuma vida é descartável”.
A expectativa é de que a manifestação reúna milhares de pessoas em repúdio à violência de gênero e à atuação de grupos criminosos que dominam territórios nas periferias da capital argentina. Para autoridades e ativistas, o caso se tornou um símbolo do nível alarmante de brutalidade e da urgência de medidas mais eficazes de proteção às mulheres.






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