O 1º Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) manteve, por unanimidade, a condenação de João Pereira de Araújo Júnior, conhecido como Russo, apontado pela Polícia Civil como um dos maiores assaltantes de cargas e veículos do estado. Apesar da decisão, Russo continua foragido, com dois mandados de prisão em aberto, conforme o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O julgamento foi relatado pelo desembargador Luiz Zveiter, que rejeitou o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa. João Pereira foi condenado a 34 anos de reclusão, em regime fechado, pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado e roubo majorado, praticados durante um confronto armado com policiais militares.
Tribunal rejeita alegação de erro na pena
A defesa alegava que houve erro na dosimetria da pena e pedia a redução do tempo de prisão, sustentando que o caso deveria ser tratado como “continuidade delitiva” e não como “concurso formal impróprio”. O TJ-RJ, porém, entendeu que não havia qualquer prova nova nem erro de fato que justificasse reabrir o caso.
O relator destacou que a revisão criminal é uma medida excepcional, usada apenas para corrigir erros graves ou injustiças comprovadas, e não serve como uma “nova apelação” para rediscutir decisões já confirmadas. Segundo o voto de Zveiter, a pena foi aplicada corretamente, levando em conta a gravidade dos crimes e o fato de que os disparos contra cada policial configuraram atos autônomos, com intenções distintas.
Com isso, o colegiado manteve integralmente a condenação e considerou o pedido da defesa improcedente.
Um histórico marcado por crimes violentos
Apontado pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) como um dos principais nomes do Comando Vermelho (CV) no roubo de cargas, Russo tem 209 anotações criminais e atua em conjunto com Felipe Pereira Santos, o Jack Cargas, que soma 210 registros. Ambos estão foragidos e são considerados chefes de grupos criminosos que utilizam as comunidades da Maré, em Bonsucesso, como base para planejar os assaltos e revender as cargas roubadas.
As investigações da DRFC, iniciadas em 2024, revelaram que os criminosos mantinham um “escritório” dentro da Maré, onde discutiam rotas e estratégias para os ataques. O grupo usava bloqueadores de GPS, carros roubados e armamento pesado, além de empresas de fachada para lavar dinheiro. Segundo o Coaf, o esquema movimentou mais de R$ 18 milhões entre 2022 e 2023.
O “minicaveirão” da Maré
Em fevereiro, a Polícia Civil encontrou uma BMW blindada e adaptada com sete seteiras para fuzis, usada pelo grupo em confrontos e assaltos. O veículo, apelidado de “minicaveirão do tráfico”, havia sido roubado em 2023, no bairro de Benfica, por criminosos vestidos com fardas da Polícia Militar. A apreensão ocorreu na comunidade Nova Holanda, uma das áreas controladas pelo grupo de Russo e Jack Cargas.
Envolvimento em latrocínio milionário
Russo também é acusado de participar da morte do vigilante Leandro Chaves da Silva, durante um assalto ao centro de distribuição do Grupo Pão de Açúcar, em Duque de Caxias, em junho de 2020. Na ocasião, cerca de 30 criminosos invadiram o local e roubaram cargas avaliadas em R$ 15 milhões. Um vigilante foi morto e outro, baleado.
O Portal dos Procurados já havia divulgado, em 2020 e novamente em fevereiro deste ano, cartazes pedindo informações sobre o paradeiro de Russo e seus comparsas. Até hoje, ele continua sendo um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro.
Mandados de prisão em aberto
De acordo com o TJ-RJ, há dois mandados de prisão ativos contra João Pereira de Araújo Júnior — um expedido pela 1ª Vara Criminal da Capital, em março de 2024, e outro pela 2ª Vara Criminal da Capital, em maio de 2022. Este último se refere ao caso julgado pelo 1º Grupo de Câmaras Criminais.






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