Selic recua a 14,5% e BC mantém cautela com inflação

Decisão do Banco Central do Brasil mantém ritmo moderado de cortes enquanto inflação se distancia da meta: redução de 0,25 ponto.

O Banco Central do Brasil voltou a reduzir a taxa básica de juros e levou a Selic para 14,5% ao ano, em decisão anunciada nesta quarta-feira (29). O corte de 0,25 ponto percentual mantém o ritmo gradual adotado pelo Copom, mas vem acompanhado de um alerta claro: a inflação segue se afastando da meta oficial.

A decisão foi tomada por unanimidade entre os membros presentes do colegiado, sob a liderança de Gabriel Galípolo. A reunião, no entanto, ocorreu com três ausências entre os diretores.

Corte mantido com cautela

O movimento do Banco Central repete a estratégia adotada no encontro anterior, quando o ciclo de flexibilização monetária foi iniciado. Apesar da continuidade da queda dos juros, o comitê deixou claro que o cenário exige prudência.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”, destacou o BC em comunicado.

Sem sinalizar os próximos passos, o Copom evitou se comprometer com novas reduções, indicando que futuras decisões dependerão da evolução do cenário econômico.

Inflação preocupa e se afasta da meta

As projeções mais recentes indicam piora no quadro inflacionário. A estimativa de inflação para este ano subiu de 3,9% para 4,6%, ultrapassando o centro da meta de 3% e se aproximando do limite superior.

Para 2027, horizonte relevante para a política monetária, a projeção também avançou para 3,5%. O próprio Banco Central reconheceu o distanciamento das expectativas em relação ao objetivo.

“A inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação”, afirmou o comitê.

O sistema de metas prevê tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que coloca o teto em 4,5%.

Cenário internacional pesa na decisão

A conjuntura global teve papel central na decisão. O Banco Central destacou a incerteza relacionada ao conflito no Oriente Médio, especialmente a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

A escalada do conflito mantém o preço do petróleo elevado, com o barril Brent acima de US$ 100, pressionando custos e impactando a inflação global.

Além disso, o Federal Reserve decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, ampliando o diferencial entre as taxas americanas e brasileiras.

Atividade econômica e riscos

Mesmo com a inflação pressionada, o Copom justificou o corte ao apontar sinais de desaceleração da atividade econômica após um longo período de juros elevados.

Segundo o comitê, esse cenário abre espaço para ajustes no ritmo da política monetária, desde que acompanhados de monitoramento constante.

Entre os riscos de alta para a inflação, o BC citou a persistência das expectativas acima da meta, possíveis choques no preço do petróleo e pressões no setor de serviços.

Por outro lado, uma desaceleração mais intensa da economia global ou doméstica pode contribuir para aliviar os preços.

Próximo Copom

O Banco Central reforçou que o ambiente atual exige flexibilidade e análise contínua. O próximo encontro do Copom está marcado para junho, quando novas decisões sobre a Selic serão avaliadas.

Até lá, o mercado deve acompanhar de perto indicadores de inflação, atividade econômica e o desenrolar do cenário internacional, fatores que serão determinantes para o rumo dos juros no Brasil .


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