O Ministério Público do Rio (MPRJ) denunciou o tenente-coronel da Polícia Militar Ivan Souza Blaz Júnior pelos crimes de invasão de domicílio e constrangimento ilegal. O caso ocorreu em janeiro, em um prédio residencial no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio. A ação, segundo os promotores, foi realizada de maneira arbitrária, sem mandado judicial, e envolveu intimidação de civis dentro de um prédio residencial no Flamengo, Zona Sul do Rio, em janeiro deste ano.
A denúncia, apresentada em conjunto pelo Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública (GAESP) e a 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria de Justiça Militar, também solicita a suspensão das funções públicas do oficial, que à época comandava o 2º Batalhão da PM (Botafogo). O processo tramita atualmente na Auditoria da Justiça Militar.
Segundo o MPRJ, Blaz teria coordenado uma operação de inteligência com base em uma denúncia anônima que apontava a presença do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, no edifício, supostamente em visita ao pai, um idoso de 70 anos. Peixão é apontado como um dos líderes do Terceiro Comando Puro (TCP) e chefe do tráfico no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
Sem mandado de busca, flagrante ou indícios concretos, Blaz deu início à ação, comparecendo pessoalmente ao local junto de uma sargento da corporação, com quem simulou ser um casal. Imagens de câmeras de segurança mostraram o tenente-coronel na calçada do prédio, vestindo bermuda, chinelo, óculos escuros e uma camiseta amarela amarrada na cabeça, além de portar uma lata de cerveja e uma sacola de supermercado. A policial que o acompanhava estava de calça jeans, sandália e blusa branca.
Após serem impedidos de entrar pelo porteiro, ambos permaneceram rondando o prédio até aproveitarem a movimentação na garagem para forçar a entrada, acompanhados de outros policiais militares mobilizados.
Já no interior do edifício, de acordo com a denúncia, Blaz sacou sua arma e obrigou o porteiro a se deitar no chão, antes de constrangê-lo a acompanhá-lo em revista aos andares do prédio. Ainda segundo o GAESP, dois moradores tiveram seus celulares apreendidos e foram mantidos sob vigilância na portaria, enquanto o grupo continuava a busca.
A administração do condomínio confirmou que os policiais vasculharam as dependências e chegaram a invadir o apartamento da síndica. Em nota na época, afirmou que os agentes se aproveitaram da movimentação para render o porteiro, se identificaram apenas depois de já estarem no prédio e agiram com truculência. Moradores, assustados com os barulhos vindos da garagem, acionaram o 190, mas, apesar da chegada de uma equipe da PM, ninguém foi preso.
A ação provocou forte repercussão interna na corporação. Blaz, que já foi porta-voz da Polícia Militar, foi exonerado do comando do 2º BPM no dia 18 de janeiro e transferido para a Diretoria Geral de Pessoal. Paralelamente, a Corregedoria da PM instaurou uma investigação para apurar as circunstâncias da conduta dos envolvidos.
O episódio, segundo promotores, evidencia “grave desvio de função e abuso de poder” por parte do tenente-coronel. A denúncia reforça que a operação ocorreu sem qualquer respaldo judicial e violou direitos constitucionais fundamentais dos moradores e funcionários do edifício.
A defesa de Ivan Blaz ainda não se manifestou oficialmente sobre a denúncia.
