Tesouro Reserva: governo lança plataforma de investimento com rendimento atrelado à Selic; veja como funciona

Novo título público do Tesouro Direto permite aplicações a partir de R$ 1 e resgate imediato

O governo federal lançou oficialmente nesta segunda-feira o Tesouro Reserva, novo título público criado para atrair investidores que buscam aplicações simples, acessíveis e com maior previsibilidade de rendimento.

A novidade passa a integrar o Tesouro Direto, plataforma do Tesouro Nacional voltada à compra de títulos públicos por pessoas físicas, e chega ao mercado como uma alternativa à poupança, aos CDBs e às chamadas caixinhas digitais oferecidas por bancos e fintechs.

Com aplicação mínima de apenas R$ 1, o Tesouro Reserva terá rendimento atrelado à taxa Selic, atualmente em 14,50% ao ano, e permitirá resgates a qualquer momento, inclusive por meio de transferências via PIX.

O lançamento oficial ocorre na B3, a Bolsa de Valores brasileira, com o tradicional toque da campainha que marca o início da oferta ao público em geral.

Antes da estreia nacional, alguns clientes do Banco do Brasil já vinham utilizando o produto durante uma fase de testes. A liberação mais ampla aos correntistas do banco começou na última quinta-feira.

Produto mira investidor conservador

O Tesouro Reserva foi desenvolvido em parceria entre o Banco do Brasil e a Secretaria do Tesouro Nacional com o objetivo de ampliar o acesso da população aos investimentos em títulos públicos.

Segundo o Ministério da Fazenda, o novo produto foi pensado para formação de reserva financeira, com foco em simplicidade operacional e previsibilidade.

A principal diferença em relação ao tradicional Tesouro Selic está justamente na estrutura simplificada da aplicação. O Tesouro Reserva elimina parte da complexidade ligada à chamada marcação a mercado, mecanismo que altera diariamente o valor dos títulos conforme variam as expectativas do mercado financeiro.

Na prática, isso significa que o investidor não deverá enfrentar oscilações relevantes no valor do título em caso de resgate antecipado.

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o novo título busca atender investidores que procuram equilíbrio entre rentabilidade e segurança.

Segundo ele, o produto foi desenhado para quem “quer rentabilidade, mas também quer segurança”.

Aplicação de baixo valor e resgate imediato

Um dos principais atrativos do Tesouro Reserva é a possibilidade de começar a investir com apenas R$ 1, valor considerado simbólico por especialistas do mercado financeiro.

O sistema permitirá aplicações e resgates em qualquer horário, todos os dias da semana. O dinheiro também poderá ser movimentado via PIX, aproximando o funcionamento do Tesouro Direto da experiência já oferecida por bancos digitais e plataformas financeiras.

Para Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, a proposta moderniza a relação do pequeno investidor com os títulos públicos.

“Isso aproxima o Tesouro Direto da experiência que hoje o investidor já encontra nas fintechs [bancos e plataformas digitais]”, afirmou.

Embora o vencimento oficial do papel seja de três anos, o investidor poderá sacar os recursos antes desse prazo sem sofrer descontos.

Especialistas avaliam que essa flexibilidade pode transformar o Tesouro Reserva em uma opção relevante para formação de reserva de emergência.

Rentabilidade ligada à Selic

O rendimento do Tesouro Reserva acompanhará a taxa Selic, referência básica dos juros da economia brasileira e atualmente fixada em 14,50% ao ano.

Ainda não foi detalhado pelo Tesouro Nacional se a rentabilidade corresponderá exatamente a 100% da taxa básica.

Por se tratar de um título público emitido pelo governo federal, o investimento é considerado de baixo risco pelo mercado financeiro.

A ausência da volatilidade típica da marcação a mercado também é vista como uma vantagem competitiva para investidores conservadores, principalmente aqueles que buscam previsibilidade e liquidez rápida.

Segundo Marcos Praça, o cenário atual de juros elevados favorece produtos desse perfil.

“Em um ambiente de juros ainda altos no Brasil, produtos atrelados à Selic continuam muito atrativos para o investidor conservador”, concluiu.

Concorrência com CDBs e caixinhas digitais

O Tesouro Reserva chega ao mercado disputando espaço com produtos já populares entre os brasileiros, como CDBs, LCIs, LCAs e as caixinhas digitais de bancos e fintechs.

Os CDBs funcionam como empréstimos feitos pelos clientes aos bancos em troca de juros. Já as LCIs e LCAs são títulos voltados ao financiamento dos setores imobiliário e do agronegócio e costumam atrair investidores por serem isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas.

As caixinhas digitais, por sua vez, automatizam aplicações em produtos de renda fixa voltados para objetivos específicos.

Para especialistas, o novo título do Tesouro Direto reúne características que o tornam competitivo nesse segmento, especialmente pela combinação entre segurança, baixo valor inicial e possibilidade de resgate imediato.

Ainda assim, o mercado aguarda definições importantes sobre os custos da operação.

Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, afirma que a rentabilidade líquida do produto dependerá também das taxas cobradas.

“O desafio será competir com o retorno de CDBs, LCIs e LCAs, que muitas vezes são mais atrativos e não têm taxas”, disse.

Ele lembra que os títulos tradicionais do Tesouro Direto atualmente possuem taxa próxima de 0,20% ao ano, dividida em cobranças semestrais.

“Em relação aos custos, a B3 ainda não divulgou qual será a taxa. Atualmente, os títulos do Tesouro Direto têm taxa próxima de 0,20% ao ano, cobrada em duas parcelas semestrais. No caso do Tesouro Reserva, isso ainda não está claro”, acrescentou.

Como investir

Neste primeiro momento, o Tesouro Reserva está disponível para clientes do Banco do Brasil.

Segundo o Ministério da Fazenda, a oferta para clientes de outras instituições financeiras dependerá da adesão de cada banco ao novo produto.

O processo de aplicação seguirá o fluxo tradicional do Tesouro Direto. O investidor deverá acessar a área de investimentos do aplicativo bancário, selecionar o Tesouro Reserva, definir o valor da aplicação e confirmar a operação.

A expectativa do governo é ampliar gradualmente a distribuição do novo título para outras instituições financeiras nos próximos meses.

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