As vendas do varejo brasileiro registraram estabilidade em abril e indicaram um movimento de desaceleração após o ritmo de recuperação observado nos meses anteriores. Segundo dados do Índice do Varejo Stone (IVS) repotados pela colunista Míriam Leitão, do Globo, o setor teve leve retração de 0,2% na comparação com março.
Apesar da queda marginal no mês, o varejo segue acumulando desempenho positivo no horizonte anual. Em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento chegou a 5,4% nos últimos 12 meses.
O levantamento aponta que o consumo continua sendo sustentado principalmente pelo mercado de trabalho aquecido e pela manutenção da renda das famílias. Ao mesmo tempo, juros elevados, crédito mais caro e alto nível de endividamento seguem limitando o avanço de segmentos mais dependentes de financiamento.
Para Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o resultado indica que o varejo entrou em uma fase de acomodação após a recuperação observada anteriormente.
“Esse desempenho, no entanto, é desigual entre os segmentos: aqueles mais ligados à renda das famílias continuam avançando, refletindo um mercado de trabalho ainda aquecido, enquanto os mais dependentes de crédito enfrentam maior dificuldade diante de condições financeiras mais restritivas.”
Combustíveis lideram crescimento
Entre os setores pesquisados, o segmento de combustíveis e lubrificantes apresentou o melhor desempenho em abril.
As vendas cresceram 2,2% no mês e acumularam alta de 14,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado foi impulsionado tanto pela demanda do consumo cotidiano quanto pelo impacto de preços e da movimentação econômica em diferentes regiões do país.
Outro destaque positivo veio do setor de supermercados, hipermercados, bebidas e alimentos, que avançou 1,9% no mês.
Especialistas apontam que os setores ligados ao consumo essencial continuam apresentando maior resiliência mesmo em um ambiente de juros elevados.
A avaliação é que gastos considerados prioritários pelas famílias tendem a manter desempenho mais estável mesmo diante da pressão financeira sobre o orçamento doméstico.
Crédito caro pesa sobre bens duráveis
Na outra ponta, os segmentos mais dependentes de financiamento e parcelamento seguiram pressionados em abril.
O setor de móveis e eletrodomésticos registrou a maior retração mensal, com queda de 1,8%.
Em seguida aparecem vestuário e calçados, que recuaram 0,8% no período.
Segundo analistas do mercado, esses segmentos sofrem mais diretamente os efeitos das taxas de juros elevadas e das restrições de crédito enfrentadas pelos consumidores.
O aumento do endividamento das famílias também ajuda a reduzir a disposição para compras de maior valor agregado.
Ainda assim, parte do varejo ligado a bens não essenciais conseguiu manter desempenho positivo no acumulado anual.
O setor de material de construção, por exemplo, apresentou crescimento de 7,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já os artigos farmacêuticos registraram alta de 6,4%.
Os números reforçam a percepção de que, apesar da desaceleração mensal, o varejo brasileiro ainda mantém um quadro geral de expansão moderada.
Rio de Janeiro aparece entre os destaques
Na análise regional, o varejo apresentou crescimento em 25 estados brasileiros.
O Acre liderou o avanço nacional, com expansão de 11,5% no período analisado.
Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com alta de 9,6%, e Roraima, com crescimento de 8,2%.
Os dados indicam desempenho positivo em grande parte do país, mesmo diante das dificuldades impostas pelo ambiente econômico mais restritivo.
Apenas Alagoas e Rio Grande do Sul registraram retração nas vendas no período.
Especialistas avaliam que o comportamento regional do varejo também reflete diferenças locais de emprego, renda, atividade econômica e capacidade de consumo das famílias.
Mercado acompanha próximos passos da economia
O desempenho do varejo continua sendo acompanhado de perto por economistas e investidores por funcionar como um dos principais termômetros da atividade econômica brasileira.
A expectativa do mercado é que os próximos meses sejam influenciados pelo comportamento dos juros, da inflação e do mercado de trabalho.
Caso o cenário de crédito permaneça restritivo, setores ligados ao consumo financiado podem continuar enfrentando dificuldades.
Por outro lado, o nível de emprego e a manutenção da renda das famílias seguem atuando como fatores de sustentação do consumo.
A avaliação predominante entre analistas é de que o varejo brasileiro deve continuar crescendo em ritmo moderado ao longo do ano, mas com desempenho bastante desigual entre os diferentes segmentos da economia.






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