Tempestades surpreendem o Saara e formam rios no deserto

Fenômeno raro está associado à seca na Amazônia e pode mudar o clima da região nos próximos meses

Nas últimas semanas, o deserto do Saara, uma das regiões mais áridas do mundo, foi surpreendido por uma rara sequência de tempestades que causou a formação de rios em meio às dunas e palmeiras. O fenômeno, que não ocorria há pelo menos 30 anos, resultou na morte de pelo menos 20 pessoas no Marrocos e na Argélia em 10 de setembro, além de danificar a distribuição de água potável, a infraestrutura de estradas e a rede elétrica. Algumas áreas atingidas pelas chuvas também haviam sofrido um terremoto no ano anterior.

As chuvas, classificadas como tempestades extratropicais, podem alterar o clima da região nos próximos meses. A Diretoria Geral de Meteorologia do Marrocos explicou que, com o aumento da umidade no ar, há mais evaporação, o que pode gerar novas tempestades. Segundo a Nasa, o evento atual está relacionado a um ciclone extratropical que se formou no oceano Atlântico, puxando a umidade da África equatorial para o norte do Saara, algo extremamente raro.

Uma pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém revelou que, dos mais de 38 mil eventos de precipitação no Saara nas últimas duas décadas, apenas 30% ocorreram durante o verão, sendo que quase nenhum deles estava associado a ciclones extratropicais, como ocorre agora.

A formação desses temporais também está ligada a fatores climáticos globais, como a seca na Amazônia. De acordo com uma análise da Universidade Federal de Alagoas, ventos alísios e uma anomalia na temperatura dos oceanos têm mantido a Zona de Convergência Intertropical afastada da Amazônia, inibindo as chuvas na floresta e beneficiando o Saara com tempestades.

Em dois dias, chuvas de um ano

Em algumas regiões do deserto marroquino, onde a precipitação anual não passa de 250 milímetros, dois dias de chuva em setembro já foram suficientes para ultrapassar essa marca. Em vilarejos como Tagounite, mais de 100 milímetros de chuva foram registrados em 24 horas. As águas chegaram a encher o lago Iriqui, que estava seco há 50 anos, e a formação de rios temporários foi observada por satélites da Nasa.

Após anos de seca extrema, as chuvas podem ajudar a abastecer os aquíferos subterrâneos que fornecem água às comunidades locais, mas ainda não se sabe o quanto esse fenômeno irá contribuir para aliviar a escassez de água na região.

Com informações da Folha de S.Paulo

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading