O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (24) que o encontro com Donald Trump, durante a Assembleia Geral da ONU, foi um marco inesperado e pode abrir espaço para uma nova etapa nas relações entre Brasil e Estados Unidos. A declaração foi dada em entrevista coletiva em Nova York, pouco antes do embarque de volta ao Brasil.
“Foi uma satisfação ter um encontro com o presidente Trump. Aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu. Fiquei feliz quando ele disse que pintou uma química boa entre nós. Como eu acho que a relação humana é 80% química e 20% emoção, isso é muito importante”, afirmou Lula. “Acho que pintou uma química mesmo”, completou.
Sinal de distensão após medidas comerciais
O gesto acontece em meio às recentes tensões provocadas por medidas de retaliação dos Estados Unidos. Em julho, o governo Trump anunciou sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, em reação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Segundo Lula, a reunião prevista para a próxima semana será uma oportunidade de discutir os atritos comerciais e outros temas estratégicos. “Estendi a mão para ele, cumprimentei, disse que temos muito a conversar. Não tem limite e não tem veto de assunto. Mas tem que ter uma conversa. Acho que ele está mal-informado sobre o Brasil, o que o levou a tomar decisões equivocadas. Na hora em que tivermos um encontro, isso estará resolvido”, declarou.
Trump elogia Lula e promete reunião
Em discurso na ONU, Trump também relatou o breve encontro e disse ter sentido uma “química excelente” com o presidente brasileiro. “Eu estava entrando no plenário e o líder do Brasil estava saindo. Nós nos abraçamos e concordamos em nos encontrar na semana que vem. Ele parece um cara muito agradável, gosta de mim e eu gostei dele. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal”, afirmou.
Apesar do tom conciliador, Trump voltou a criticar o processo judicial no Brasil e falou em “censura, repressão, corrupção judicial e perseguição a críticos políticos”.
Relações em debate
Lula reforçou que os dois países, por serem as maiores economias e democracias do continente, não deveriam viver em clima de conflito. Ele mencionou que temas como comércio, investimentos, economia digital e inteligência artificial estarão na pauta das negociações. “Se nós somos as duas maiores economias e os dois maiores países do continente, não há porquê vivermos em momentos de conflito”, disse.






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