SUS inicia atendimentos em clínicas privadas para reduzir filas no Rio; veja como ser atendido

Com foco em especialidades de alta demanda, programa Agora Tem Especialistas integra rede pública e operadoras de saúde para ampliar acesso a consultas e cirurgias

Desde da última sexta-feira (01º), pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) passaram a ter acesso a consultas, exames e cirurgias em clínicas e hospitais vinculados a planos de saúde. A iniciativa faz parte do programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde, criado para reduzir as longas filas de espera em especialidades com alta demanda no país.

O estado do Rio de Janeiro está entre as regiões prioritárias do programa, por concentrar hospitais de referência nacional, como o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), que enfrentam filas que chegam a até três anos em alguns procedimentos, como cirurgias ortopédicas de joelho, coluna e quadril.

Rede privada passa a reforçar o SUS

Com a nova estratégia, os atendimentos serão organizados diretamente pelo SUS, sem necessidade de marcação por parte do paciente. Estados e municípios vão indicar as prioridades com base em suas próprias listas de espera, e os atendimentos ocorrerão em unidades privadas previamente credenciadas, mantendo o caráter gratuito do SUS.

A secretária estadual de Saúde do Rio, Cláudia Mello, destacou a importância da medida para a população fluminense. Segundo ela, o programa ajudará a reduzir o tempo de espera e contará com uma força-tarefa para integrar esforços entre o governo federal, o estado e a rede privada.

“O programa Agora Tem Especialistas vai ajudar a reduzir o tempo de espera para consultas, exames e cirurgias. A estratégia inclui os planos de saúde, o que vai ampliar ainda mais a capacidade de atendimento. Teremos um encontro com representantes do Ministério da Saúde e da rede privada do Rio para que possamos entender detalhadamente o modelo e apoiar no que for possível. Na rede estadual, teremos atuação em cinco linhas de cuidado: oncologia, oftalmologia, ortopedia, cardiologia e saúde da mulher”, afirmou.

Planos participam por meio de edital

No Rio, mais de 3 milhões de pessoas possuem plano de saúde, mas muitas ainda dependem do SUS para atendimentos especializados. O programa representa uma tentativa de unir forças públicas e privadas para enfrentar o gargalo no sistema.

A adesão das operadoras de saúde ao programa é voluntária e depende de edital da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para participar, as empresas devem comprovar capacidade de realizar ao menos 100 mil atendimentos mensais.

Pacotes substituem pagamento

O pagamento pelos serviços não será feito por procedimento individual, mas por “combos de cuidado”, que incluem consulta, exames e tratamento em sequência. Ao concluir esses pacotes, as operadoras recebem certificados de ressarcimento, que abatem dívidas existentes com o governo federal.

Inicialmente, cerca de R$ 750 milhões em débitos de operadoras com a União serão convertidos em atendimentos gratuitos à população. Os procedimentos estarão concentrados nas áreas com maior carência: oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia.

Uma plataforma digital vai integrar os dados das redes pública e privada por meio do aplicativo Meu SUS Digital, permitindo maior agilidade no acompanhamento de pacientes e nos diagnósticos.

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