Restaurante citado em caso de antissemitismo diz que ‘não existe’ e era parte de obra de ficção

Responsável pelo perfil afirma que O Porco Gordo nunca funcionou como restaurante aberto ao público, mas Procon confirma multa e diz que local tem alvará ativo. Local abriu apenas como uma cozinha e foi encerrado formalmente em 2023, mesmo ano em que foi registrado

O caso do restaurante O Porco Gordo, no Recreio dos Bandeirantes, que ganhou as redes sociais e motivou pedidos de fiscalização, tomou um rumo inesperado. Após ser apontado como um novo foco de antissemitismo no Rio, o perfil do suposto estabelecimento veio a público para afirmar que o restaurante sequer existe no mundo real — pelo menos não mais —, trata-se de uma “história de ficção”.

A polêmica começou após a circulação de uma publicação nas redes sociais com a mensagem de que cidadãos de Israel não seriam bem-vindos no local, em um espelhamento do episódio envolvendo o Bar Partisan, na Lapa. O conteúdo gerou repercussão e motivou pedidos de fiscalização.

Em resposta, o autor do perfil afirmou que O Porco Gordo é, na verdade, um cenário fictício de uma narrativa sobre cinco chefs, incluindo um refugiado palestino. “Eles só não acharam o estabelecimento no mundo real”, escreveu.

CNPJ indica empresa encerrada

O levantamento feito pela Agenda do Poder confirma a versão. O CNPJ vinculado ao restaurante, em nome de Luiz Paulo dos Santos Bellei, consta como baixado nos registros da Receita Federal. O local funcionou apenas como uma cozinha no passado, sem nunca ter aberto mesas ao público, e foi encerrado formalmente em 2023, no mesmo mês em que foi registrado.

“Não existe restaurante a ser boicotado, denunciado, multado porque ele só existe em um mundo fictício”, diz o autor em publicação nas redes sociais.

A confusão mobilizou até parlamentares e órgãos de fiscalização, que chegaram a mencionar multas e sanções baseadas em postagens do estabelecimento inexistente. O autor da performance afirmou que o objetivo era “provocar o público” e que o uso da rede social faz parte do desenvolvimento de sua narrativa ficcional.

O que diz o Procon

Apesar da versão apresentada, o Procon Carioca informou que o estabelecimento foi autuado após a postagem considerada discriminatória e que possui alvará de funcionamento para atividade de bar e restaurante.

Segundo o órgão, um processo administrativo foi instaurado para apurar o caso. A entidade, porém, não confirmou o valor da multa nem explicou como a quantia foi calculada.

“A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, através do Procon Carioca, informa que o restaurante O Porco Gordo possui alvará de funcionamento válido para o exercício de atividades de bar e restaurante e foi devidamente multado após uma postagem em sua rede social oficial com a foto de uma bandeira de Israel com um ‘x’ afirmando: ‘Também não são bem-vindos aqui! Não estão proibidos, mas não são bem-vindos’.

A manifestação fazia referência de apoio ao bar na Lapa, que também foi multado após afixar uma placa discriminatória na entrada do estabelecimento, restringindo o acesso de clientes em razão de sua nacionalidade.

Mesmo o conteúdo sendo apagado por seus responsáveis, O Porco Gordo foi multado e um processo administrativo foi instaurado para apuração do caso.

A empresa e seus responsáveis terão assegurado o direito à ampla defesa, podendo se manifestar ao longo do processo em 30 dias, contados a partir da data da lavratura do auto de infração”, diz a nota.

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