A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa nesta terça-feira (11) o julgamento de dez réus apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como integrantes do “núcleo 3”, formado majoritariamente por militares e agentes de segurança envolvidos no plano que pretendia impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a PGR, o grupo teria atuado na vigilância de autoridades, na elaboração de estratégias e na tentativa de criar instabilidade institucional.
Plano previa ataques a Lula, Alckmin e Moraes
De acordo com a acusação, os denunciados participaram do planejamento do chamado “Plano Punhal Verde e Amarelo”, que teria como objetivo ações violentas e até o assassinato do presidente eleito Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O esquema também previa provocar o caos social para facilitar uma ruptura institucional.
Militares e agentes entre os réus
Entre os acusados estão o general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, o agente da Polícia Federal Wladimir Matos Soares e outros oito oficiais do Exército. Eles respondem por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa. Caso condenados, as penas serão proporcionais ao grau de participação de cada um. Segundo a PGR, o general Theophilo teria utilizado sua influência para tentar convencer o então presidente Jair Bolsonaro a assinar um decreto de ruptura institucional.
PGR detalha papéis individuais na trama
O tenente-coronel Hélio Ferreira Lima é acusado de elaborar uma planilha com as etapas do golpe, enquanto o tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira teria participado de reuniões com Walter Braga Netto para debater estratégias de mobilização popular. Já o agente da PF Wladimir Soares teria monitorado Lula e repassado informações sobre sua segurança a aliados de Bolsonaro. Outros militares, como os coronéis Bernardo Corrêa Netto, Fabrício Bastos e Márcio Nunes de Resende Júnior, são apontados como responsáveis pela redação de uma carta para pressionar comandantes militares a aderirem ao movimento golpista.
Carta golpista e incitação militar
A PGR afirma ainda que o tenente-coronel Sérgio Cavaliere de Medeiros colaborou na elaboração da carta, enquanto Ronald Ferreira de Araújo Júnior teria sido responsável por sua divulgação, incitando militares a se insurgirem contra os poderes constituídos. O Ministério Público, porém, pediu pena menor para Ronald, por entender que sua participação se limitou à incitação.
Defesas negam participação e contestam provas
Os advogados dos réus negam qualquer envolvimento em organização criminosa ou nos atos de 8 de janeiro. A maioria sustenta que as acusações se baseiam em delações sem comprovação material e afirma que não há evidências de que os investigados tenham planejado ações golpistas.






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