STF inicia interrogatório de militares ‘kids pretos’ acusados de planejar assassinato de Lula e Alckmin

Réus pertencem ao núcleo militar da trama golpista e respondem por cinco crimes, incluindo golpe de Estado e organização criminosa

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta segunda-feira (28) o interrogatório de dez réus acusados de integrar um dos núcleos militares da tentativa de golpe investigada pela Corte.

Segundo a PGR, o grupo é responsável por ações coercitivas, como o monitoramento de autoridades públicas, e atuou de forma coordenada para desestabilizar o governo democraticamente eleito. Os interrogatórios marcam o avanço da fase de instrução do processo, após a oitiva de testemunhas realizada na semana anterior.

Os dez acusados fazem parte do chamado núcleo 3 do inquérito, voltado ao braço militar da suposta conspiração. Eles são investigados por elaborar o plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que, de acordo com a Polícia Federal, previa o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin em 15 de dezembro de 2022, antes da posse.

Entre os réus estão militares da ativa e da reserva do Exército, inclusive membros das forças especiais, conhecidas como “kids pretos”, além de um agente da Polícia Federal. São eles:

  • General Estevam Gaspar de Oliveira
  • Tenente-coronel Hélio Ferreira Lima
  • Tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira
  • Tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo
  • Coronel Bernardo Romão Corrêa Netto
  • Coronel Fabrício Moreira de Bastos
  • Coronel Marcio Nunes de Resende Júnior
  • Tenente-coronel Sérgio Cavaliere de Medeiros
  • Tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior
  • Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal

Eles respondem pelos crimes de:

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito (pena de 4 a 8 anos)
  • Golpe de Estado (pena de 4 a 12 anos)
  • Organização criminosa (pena de 3 a 8 anos)
  • Dano qualificado (pena de 6 meses a 3 anos)
  • Deterioração de patrimônio tombado (pena de 1 a 3 anos)

A PGR sustenta que as ações incluíam ameaças, monitoramento e planejamento violento, com o objetivo de desestabilizar o regime democrático e impedir a posse dos eleitos em 2022.

Concluída a etapa dos interrogatórios, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, deverá abrir prazo de cinco dias para que o Ministério Público e as defesas apresentem pedidos de diligências complementares.

Após essa fase, terá início o período de alegações finais, em que acusação e defesa irão expor suas conclusões sobre o processo, com base nos elementos reunidos até aqui. Caberá à Primeira Turma do STF julgar os réus e definir, se for o caso, a pena de cada um. Ainda haverá possibilidade de recurso dentro do próprio Supremo.

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