STF avalia que prisão de Bolsonaro em regime fechado deve ocorrer até dezembro

Corte trabalha com prazo máximo para execução da pena, mas possibilidade de antecipação não está descartada

Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) calculam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deverá ser transferido para cumprir pena em regime fechado até dezembro deste ano. A execução pode acontecer antes, em outubro ou novembro, caso os prazos para análise dos recursos sejam mais curtos do que o previsto, como informa a Folha de S.Paulo.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, acusado de liderar uma conspiração para se manter no poder após o término do mandato. Do total, 24 anos e nove meses correspondem a reclusão, e o restante a detenção. Atualmente, o ex-presidente encontra-se em prisão domiciliar, medida decretada por descumprimento de restrições impostas pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.

Publicação do acórdão e recursos

A expectativa do STF leva em conta os trâmites processuais. O acórdão do julgamento, encerrado nessa quinta (11), deve ser publicado em até 35 dias. A defesa terá cinco dias para apresentar os primeiros embargos de declaração — recursos que normalmente não alteram o resultado, mas pedem esclarecimentos sobre a decisão.

Em seguida, a Procuradoria-Geral da República terá mais cinco dias para se manifestar. Somente depois disso os ministros poderão julgar os embargos. Como ainda cabem segundos embargos de declaração, a conclusão desse ciclo pode se estender até dezembro. Porém, caso cada etapa seja concluída mais rapidamente, a prisão em regime fechado poderá ser antecipada.

Debate interno no Supremo

Uma ala do tribunal avalia que a prisão poderia ser decretada imediatamente, já que os recursos pendentes não têm potencial de mudar a condenação. Essa hipótese, entretanto, não é considerada a mais provável no momento.

Segundo integrantes da corte, três possíveis destinos são cogitados para Bolsonaro: a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, uma cela especial no Centro Penitenciário da Papuda ou, em cenário remoto, um quartel do Exército. A última possibilidade encontra forte resistência tanto no Supremo quanto na cúpula militar, que teme que a medida estimule atos de apoiadores nos arredores do Quartel-General do Exército, em Brasília.

Defesa tentará prisão domiciliar

Após esgotar todos os recursos, a defesa do ex-presidente deve entrar com pedido para que Bolsonaro permaneça em prisão domiciliar. O argumento central será o estado de saúde fragilizado do político, de 70 anos.

A decisão final caberá ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo processo. Além disso, há a possibilidade de que Bolsonaro seja levado antes ao regime fechado caso descumpra novamente restrições já impostas ou se surgir risco de fuga.

Cenários e histórico

A Papuda, onde Bolsonaro pode cumprir pena, já recebeu outros políticos de renome condenados por corrupção, como Paulo Maluf e Luiz Estevão. A simples menção dessa hipótese causa apreensão ao ex-presidente, segundo revelado pela colunista Mônica Bergamo.

Outra alternativa seria uma cela especial preparada pela Polícia Federal em Brasília, semelhante à utilizada pelo atual presidente Lula (PT), que permaneceu 580 dias detido na sede da PF em Curitiba, no âmbito da Operação Lava Jato. O espaço conta com banheiro, cama, mesa e televisão.

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