STF cria triagem para evitar pedidos direcionados a ministros da Corte

Regra busca impedir direcionamento de pedidos a ministros em processos já em andamento e reforçar critérios de distribuição

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O Supremo Tribunal Federal (STF) criou uma nova etapa de triagem para petições apresentadas em processos que já estão em andamento na Corte. A regra, assinada pelo presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, prevê análise prévia antes que determinadas manifestações sejam vinculadas a uma ação existente. A medida busca reforçar as regras de distribuição dos processos e evitar que pedidos sejam direcionados a relatores específicos.

Pela resolução, a Secretaria Judiciária deverá analisar as petições enquadradas nos critérios e a vinculação a um processo dependerá de validação da Presidência, informa O Globo. A mudança ocorre em meio a discussões sobre a distribuição de pedidos urgentes relacionados às eleições e sobre a atuação de diferentes tribunais em questões eleitorais.

Pedido do TSE motivou discussão

A criação do filtro ocorre depois de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, enviar um ofício a Fachin pedindo medidas para evitar sobreposição de competências. O documento mencionou pedidos apresentados ao STF que poderiam alcançar matérias relacionadas à Justiça Eleitoral, especialmente durante o período eleitoral.

A discussão ganhou força após episódios envolvendo decisões sobre as eleições de 2026 e o caso relacionado a publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Em uma das situações citadas no debate, um pedido apresentado dentro de uma reclamação já existente foi analisado pelo ministro Flávio Dino, que acabou derrubando decisão tomada anteriormente por André Mendonça.

Regra reforça distribuição

A resolução de Fachin afirma que a vinculação de uma petição a um processo existente não elimina a necessidade de observar as normas de distribuição do STF. O texto também menciona o princípio do juiz natural, segundo o qual a definição do magistrado responsável por uma causa deve seguir critérios previamente estabelecidos.

Segundo a norma, a intenção é “uniformizar o tratamento” das petições e “aperfeiçoar os mecanismos de prevenção de eventuais distorções na distribuição dos processos”. O texto não cita diretamente o episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida nem o ofício enviado por Nunes Marques como justificativa para a mudança.

Quais pedidos passarão por triagem

A análise prévia será aplicada, por exemplo, a petições apresentadas por terceiros que não sejam partes do processo, advogados das partes ou representantes do Ministério Público na condição de fiscal da ordem jurídica.

O procedimento também será adotado quando a manifestação questionar ato de autoridade ou órgão que não participe da ação; tentar ampliar os efeitos de uma decisão para pessoas, atos ou fatos que não estejam incluídos no processo original; ou formular pedido contra alguém que não seja parte da ação. A nova regra pretende, assim, estabelecer um filtro antes que essas manifestações sejam incorporadas a processos já distribuídos.

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