STF autoriza criação de Parque Nacional Tanaru em Rondônia: ‘Reparação da histórica violência sofrida pelos povos originários’

Área de oito mil hectares será destinada à preservação da floresta e da história do último representante do povo Tanaru, conhecido como ‘Índio do Buraco’

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu um passo inédito para transformar em política pública a memória do povo Tanaru, extinto após a morte de seu último representante em 2022. O ministro Edson Fachin homologou nesta quinta-feira (11) o plano de trabalho que prevê a criação do Parque Nacional Tanaru, em Rondônia, na fronteira com a Bolívia.

O território, de aproximadamente oito mil hectares, será convertido em unidade de conservação de proteção integral, destinada não apenas à preservação ambiental, mas também ao reconhecimento da história e da memória material e imaterial do povo que resistiu ao contato com não indígenas até os últimos dias de sua existência.

Fachin fala em reparação histórica

Relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 991, que deu base ao processo, Fachin destacou o simbolismo da decisão. Para o ministro, a criação do parque representa uma “reparação da histórica violência e vulnerabilização sofrida pelos povos originários do Brasil”.

A medida estabelece que a União encaminhe ao STF relatórios semestrais sobre o andamento das etapas do projeto, garantindo acompanhamento constante da execução.

O legado do “Índio do Buraco”

O Parque Nacional Tanaru nasce marcado pela trajetória singular de seu último habitante. Conhecido como o “Índio do Buraco”, ele viveu em isolamento por 26 anos na Floresta Amazônica, após ver seu grupo ser exterminado em ataques de fazendeiros na região.

Durante esse período, resistiu a todas as tentativas de contato, permanecendo sozinho até sua morte, em 2022. Sua existência tornou-se símbolo internacional da luta pela preservação de povos indígenas isolados e da denúncia das violências históricas sofridas por eles.

Preservação da floresta e da memória indígena

A criação do parque atende a critérios de proteção de territórios tradicionalmente ocupados por povos indígenas isolados ou de recente contato. Mais do que assegurar a conservação da floresta em uma área de fronteira estratégica, a decisão busca resguardar a memória de uma etnia que desapareceu diante da pressão da expansão agrícola e da violência fundiária.

O Parque Nacional Tanaru se tornará, assim, um espaço de dupla função: a preservação da biodiversidade amazônica e o reconhecimento da herança histórica de um povo que simboliza a resistência e a tragédia das populações indígenas no Brasil.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading