‘Sou milícia e sou polícia’: veja o diálogo entre militares do Novo Escritório do Crime

As investigações apontam ainda que os militares procurados atuavam dentro dos próprios batalhões

O Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) interceptou conversas entre policiais militares investigados por integrar o grupo criminoso armado batizado como ‘Novo Escritório do Crime’. Em um dos áudios, o PM Bruno Marques da Silva, conhecido como Bruno Estilo, chega a afirmar com orgulho: “Sou milícia e sou polícia”.

Em outra gravação que integra a investigação, Bruno cita uma execução em Realengo: “Viu o maluco que a gente pegou ontem? Viu? Lá em Realengo. Se eu soubesse disso naquela época, eu tinha ido mais vezes. Ia ganhar muito mais”, diz. O Ministério Público acredita que ele se referia ao assassinato de Neri Peres Júnior.

As conversas foram reveladas inicialmente pelo RJ2, da TV Globo, e confirmadas pelo portal Agenda do Poder. Em outro trecho, Bruno reclama da rotina imposta pela organização criminosa:

“Não tô vivendo mais não. Às vezes eu deixo de marcar minhas coisas, de resolver minhas coisas porque p&rra, eu marco um bagulho e aí toda hora tem missão. A meta é ficar milionário!“, afirma.

Segundo o Gaeco, o grupo é comandado de dentro da prisão por Thiago Soares Andrade Silva, o Ganso, ex-policial militar preso desde 2023. Bruno Estilo também já está preso. Outros dois militares alvos da operação seguem foragidos: o capitão Alexander Ribeiro Estrela, do 39º BPM (Belford Roxo), e o cabo Diogo Brigs Climaco, do 9º BPM (Rocha Miranda).

Outros envolvidos na organização são:

  • André Costa Bastos, o Boto (preso)
  • Rodrigo de Oliveira Andrade de Souza, o Rodriguinho (preso)
  • Anderson de Oliveira Reis Viana, o Papa (foragido)
  • Diony Lancaster Fernandes do Nascimento, o Diony (preso)
  • Vitor Francisco da Silva, o Vitinho Fubá (foragido)

Todos foram denunciados à Justiça pelos crimes de organização criminosa armada, sequestro e comércio ilegal de armas de fogo e munições. Segundo as investigações, parte do armamento negociado pelo grupo era desviada de apreensões feitas pela própria polícia e revendida no mercado clandestino, fortalecendo a estrutura da quadrilha.

Entre os crimes atribuídos à organização está o assassinato de Fábio Romualdo Mendes, executado a tiros dentro do carro, em setembro de 2021, na região de Vargem Pequena, Zona Oeste do Rio. O outro homicídio ocorreu em 4 de outubro do mesmo ano, quando Neri Peres Júnior foi morto numa emboscada em via pública, no bairro de Realengo. Segundo o Gaeco, a vítima foi alvejada com disparos de fuzil.

Policiais eram negociadores

As investigações apontam ainda que os militares procurados atuavam dentro dos próprios batalhões para intermediar negociações ilegais. Parte das armas e munições comercializadas pelo grupo era desviada de grandes apreensões realizadas pelas polícias Civil e Militar.

Em uma das conversas interceptadas, Bruno Estilo cita diretamente o cabo Diogo Brigs Climaco, do 9º BPM (Rocha Miranda), como parceiro nas transações clandestinas.

“Eu acho que tu pegou a pistola dele uma vez, mano. Ele é aqui do 18, cara, é o Briggs. Tá me dando várias moral, vendendo várias paradas”, disse.

Em nota, a Polícia Militar informou que apoiou a operação do Gaeco e destacou que um dos policiais procurados já se encontra preso.

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