Ex-PM chefe do ‘Novo Escritório do Crime’ dava as ordens de dentro da prisão, segundo investigações

Dois policiais da ativa também são alvos da operação conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado

O ex-policial militar Thiago Soares Andrade Silva, o Ganso, apontado como chefe do ‘Novo Escritório do Crime’, comandava a organização criminosa de dentro da prisão, onde está detido desde 2023. A facção  é considerada sucessora direta do antigo grupo paramilitar liderado por Adriano Magalhães da Nóbrega — ex-capitão do Bope, morto em 2020.

Uma operação do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) cumpre nove mandados de prisão contra os integrantes da quadrilha nesta quinta-feira (15).

Além de Ganso, também são alvos da investigação três militares: o capitão Alexander Ribeiro Estrela, do 39º BPM (Belford Roxo); o cabo Diogo Brigs Climaco, do 9º BPM (Rocha Miranda); e o 2º tenente Bruno Marques da Silva, conhecido como Bruno Estilo, que já estava preso.

Outros nomes envolvidos são André Costa Bastos, vulgo ‘Boto’ (preso); Rodrigo de Oliveira Andrade de Souza, vulgo ‘Rodriguinho’ (preso); Anderson de Oliveira Reis Viana, vulgo ‘Papa’ (foragido); Diony Lancaster Fernandes do Nascimento, vulgo ‘Diony’ (preso); e Vitor Francisco da Silva, vulgo ‘Vitinho Fubá’ (foragido).

Todos foram denunciados à Justiça pelos crimes de organização criminosa armada, sequestro e comércio ilegal de armas de fogo e munições. Segundo as investigações, parte do armamento negociado pelo grupo era desviada de apreensões feitas pela própria polícia e revendida no mercado clandestino, fortalecendo a estrutura da quadrilha.

Entre os crimes atribuídos à organização está o assassinato de Fábio Romualdo Mendes, executado a tiros dentro do carro, em setembro de 2021, na região de Vargem Pequena, Zona Oeste do Rio. O outro homicídio ocorreu em 4 de outubro do mesmo ano, quando Neri Peres Júnior foi morto numa emboscada em via pública, no bairro de Realengo. Segundo o Gaeco, a vítima foi alvejada com disparos de fuzil.

Novo escritório

A estrutura do “Novo Escritório do Crime” remete diretamente ao grupo original, que por anos operou como uma milícia especializada em assassinatos por encomenda. Atuante sobretudo na Zona Oeste, o Escritório do Crime era formado por policiais e ex-policiais com treinamento tático, capazes de planejar ações com alto grau de sofisticação, dificultando a elucidação dos crimes.

Desde 2009, pelo menos 13 homicídios foram associados a esse grupo, que também se envolveu em grilagem de terras, construções ilegais e especulação imobiliária. O comando original estava nas mãos de Adriano da Nóbrega e do major Ronald Paulo Alves Pereira, ambos alvos da Operação Intocáveis, que teve como objetivo desmantelar milícias atuantes na capital fluminense.

Com a morte de Adriano, a liderança passou aos irmãos Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, e Leandro Gouvêa da Silva, o Tonhão. Em 2024, os dois foram condenados a 26 anos e 8 meses de prisão pelo assassinato do contraventor Marcelo Diotti da Mata, executado em 2018.

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