A disputa pelo comando do Conselho de Administração da Vale ganhou um novo capítulo. A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e maior acionista individual da mineradora, quer promover mudanças na liderança do colegiado, mas encontrou resistência da própria administração da companhia. A informação é do jornal Valor Econômico.
A entidade solicitou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para destituir o atual presidente do Conselho, Daniel Stieler, e indicou o ex-presidente da Previ José Maurício Pereira Coelho para ocupar a vaga. Além disso, declarou apoio ao conselheiro Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para assumir a presidência do órgão.
No entanto, ao analisar o pedido, o Conselho da Vale decidiu convocar a assembleia, marcada para 22 de julho, mas recomendou que os acionistas rejeitem as alterações propostas pela Previ.
Previ considera decisão do Conselho desconfortável
A diretora de Participações da Previ, Adriana Chagastelles, afirmou que a entidade recebeu com desconforto a decisão do Conselho da Vale.
Segundo ela, causou incômodo o fato de Daniel Stieler ter participado e presidido a reunião que avaliou justamente a proposta de sua própria destituição. Apesar disso, a fundação descartou medidas judiciais ou tentativas de impugnação do processo.
A avaliação da Previ é que a melhor alternativa para resolver o impasse é permitir que a decisão seja tomada diretamente pelos acionistas durante a assembleia extraordinária.
“O fato de termos uma reunião que tratava da destituição de um conselheiro e contar com a participação dele, inclusive presidindo os trabalhos, nos causou desconforto”, afirmou Adriana.
Conselho da Vale recomenda manutenção de Stieler
Além de defender a permanência de Daniel Stieler no cargo, o Conselho da Vale também ampliou a disputa pela vaga no colegiado.
Caso os acionistas aprovem a destituição do atual presidente, a administração da mineradora aceitou a indicação de José Maurício Pereira Coelho, feita pela Previ, mas incluiu também a candidatura de Ieda Gomes Yell para concorrer ao posto.
Para a presidência do Conselho, o apoio oficial do colegiado foi direcionado a Marcelo Gasparino, atual vice-presidente do órgão, em contraposição ao nome defendido pela Previ.
Com isso, todas as definições ficaram transferidas para a votação dos acionistas na AGE de julho, cenário que, segundo fontes ligadas ao processo, tende a resultar em uma disputa acirrada.
Estrangeiros podem ter papel decisivo na votação
Após a convocação da assembleia, a Previ encaminhou nova correspondência à Vale solicitando a divulgação rápida dos documentos preparatórios da reunião.
A preocupação da entidade está relacionada à participação de investidores estrangeiros, que costumam demandar mais tempo para analisar propostas e definir seus votos.
A fundação acredita que sua defesa de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira pode encontrar respaldo entre investidores internacionais. O executivo português, com formação na África do Sul e experiência em grandes mineradoras globais, possui perfil considerado alinhado às exigências de governança dos grandes fundos estrangeiros.
Entre os acionistas relevantes da Vale estão importantes gestoras internacionais, como a BlackRock e a Capital Group, frequentemente apontadas como defensoras de práticas de governança corporativa independentes.
Previ rejeita influência política na proposta
A iniciativa da Previ também gerou questionamentos por ocorrer a menos de um ano do encerramento do mandato de Daniel Stieler, previsto para abril de 2027.
Críticos da proposta apontam que a proximidade do fim do mandato levanta dúvidas sobre a necessidade da troca neste momento. Além disso, por possuir gestão compartilhada entre representantes do Banco do Brasil e funcionários da instituição, a Previ frequentemente é vista pelo mercado como um canal de influência do governo federal em empresas estratégicas.
Adriana Chagastelles rebateu essa interpretação e afirmou que a decisão não possui motivação política.
Segundo a executiva, a substituição de Stieler já vinha sendo discutida internamente desde o início do ano e faz parte de uma estratégia voltada ao fortalecimento da independência e da autonomia da governança corporativa da mineradora.
Estratégia mira eleição do Conselho em 2027
A Previ também revelou que, caso consiga aprovar a mudança na presidência do Conselho agora, não pretende apresentar novos candidatos para o comando do colegiado durante a eleição prevista para abril de 2027.
Na ocasião, todos os atuais mandatos dos conselheiros serão encerrados e uma nova composição será escolhida pelos acionistas.
A intenção da fundação é que a futura chapa para o Conselho seja estruturada sob a liderança do nome que vier a assumir a presidência do órgão após a assembleia extraordinária de julho, consolidando uma nova fase de governança na Vale.
Com a recomendação contrária do Conselho e a mobilização da Previ para conquistar apoio dos investidores, a disputa pelo comando da Vale deverá dominar as discussões entre os acionistas nas próximas semanas e transformar a assembleia de 22 de julho em um dos eventos corporativos mais relevantes do ano para a mineradora.






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