Uma turista espanhola foi presa em flagrante pela Polícia Federal (PF) na madrugada desta quarta-feira (24) no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após ser acusada de injúria racial durante o desembarque de um voo da Latam. A passageira permanece à disposição da Justiça e deverá passar por audiência de custódia.
De acordo com relatos de testemunhas, o episódio ocorreu após o pouso da aeronave, quando os passageiros precisaram aguardar dentro do avião por causa de um atraso operacional no desembarque. Durante a espera, a mulher teria atribuído a demora à presença de “macacos” do lado de fora da aeronave, declaração considerada de cunho racista por passageiros e tripulantes.
Prisão ocorreu ainda na pista do aeroporto
Após tomar conhecimento da situação, a tripulação acionou a Polícia Federal, que realizou a prisão da turista ainda na área operacional do aeroporto. Segundo a corporação, a mulher foi indiciada pelo crime de injúria racial.
Em nota, a Latam condenou o comportamento da passageira e reafirmou que não tolera qualquer forma de discriminação. A companhia destacou que atos de racismo e preconceito são incompatíveis com seus valores e que colaborou com as autoridades na apuração do caso.
Crime tem pena de até cinco anos de prisão
Desde a sanção da Lei nº 14.532, em 2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo no Brasil. A legislação prevê pena de reclusão de dois a cinco anos, além de multa. O delito também passou a ser considerado imprescritível e inafiançável.
A legislação brasileira está entre as mais rigorosas da América Latina no combate a crimes motivados por discriminação racial. Casos envolvendo estrangeiros têm recebido atenção especial das autoridades nos últimos meses, com registros de prisões de turistas acusados de ataques racistas e homofóbicos em aeroportos e voos internacionais.
Série de casos recentes acende alerta
A prisão da espanhola ocorre em meio a uma sequência de ocorrências semelhantes envolvendo visitantes estrangeiros. Em maio, um cidadão chileno foi preso pela Polícia Federal após proferir ofensas racistas e homofóbicas contra tripulantes de um voo internacional que passou por Guarulhos. O caso resultou em investigação e posterior denúncia do Ministério Público Federal.
Autoridades brasileiras têm reforçado que práticas discriminatórias não serão toleradas, independentemente da nacionalidade dos envolvidos. A atuação rápida da Polícia Federal em aeroportos e outros locais públicos tem sido apontada como parte da estratégia de combate ao racismo e à intolerância.
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