O executivo chileno Germán Naranjo Maldini, gerente da empresa de alimentos e biotecnologia marinha Landes, foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após uma série de ataques racistas e homofóbicos dentro de um voo da Latam com destino a Frankfurt, na Alemanha.
Segundo informações divulgadas pela CNN Chile e pela CNN Brasil, o caso ocorreu no voo LA8070, em 10 de maio. O empresário teria se exaltado depois de ser impedido pela tripulação de abrir a porta da aeronave durante o voo. A partir daí, passou a ofender funcionários e passageiros.
Em vídeo que viralizou nas redes sociais, Maldini aparece fazendo comentários discriminatórios contra integrantes da tripulação. Em um dos trechos, ele afirma: “É um problema para mim ser gay”. Logo depois, direciona ataques racistas a um funcionário da companhia aérea.
“A pele negra. O que mais… o cheiro de negro brasileiro. Cheiro de brasileiro”, declarou o chileno.
Ofensas e provocações dentro da aeronave
Mesmo após ser advertido por comissários, o executivo continuou com os insultos. Uma funcionária informou que ele seria desembarcado por estar “agredindo” pessoas no voo. Em resposta, Maldini ironizou:
“Uh, que medo”.
Na sequência, voltou a atacar passageiros e tripulantes com falas racistas:
“Você, negro, macaco, eu não conheço. Macacos ficam nas árvores”, disse, antes de imitar sons de macaco.
As vítimas registraram denúncia junto à Polícia Federal, que abriu investigação. A Justiça Federal decretou a prisão preventiva do executivo, cumprida na última sexta-feira, quando ele retornou ao Brasil para conexão em Guarulhos. Após audiência de custódia, Maldini foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.
Empresa afasta executivo após repercussão
Depois da repercussão do caso, a empresa chilena Landes anunciou o afastamento preventivo do executivo.
“A Landes condena de maneira categórica qualquer ato de discriminação, racismo ou homofobia”, afirmou a companhia em nota.
A Latam também repudiou o episódio e informou que está colaborando com as autoridades brasileiras. A empresa destacou ainda que presta apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário vítima das agressões.
Racismo e homofobia têm punição prevista em lei
Desde 2023, a injúria racial passou a ser equiparada ao crime de racismo no Brasil, tornando-se imprescritível e inafiançável. A legislação prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa. O Supremo Tribunal Federal também reconheceu que ofensas homofóbicas podem ser enquadradas criminalmente.
Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) apontam aumento de 19% nos casos de indisciplina em voos domésticos no primeiro trimestre de 2026.





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