“Nunca vi tanta gente para morrer”. A frase, atribuída ao sargento da Polícia Militar Bruno Marques da Silva, o Bruno Estilo, é um dos trechos mais impactantes da nova denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra nove acusados de integrar um grupo de extermínio formado por policiais e ex-policiais militares. O conteúdo do depoimento indica que o chamado “novo Escritório do Crime” mantinha uma verdadeira “fila” de alvos para execução, informa O Globo.
A revelação foi feita por promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), com base em conversas entre Bruno Estilo e Rodrigo de Oliveira Andrade de Souza, o Rodriguinho, também apontado como membro da quadrilha. Além da frase sobre a fila de mortes, o sargento ainda teria dito: “Toda hora tem missão”. Para os investigadores, as declarações escancaram o ritmo intenso e sistemático das execuções atribuídas ao grupo.
A denúncia descreve o envolvimento do grupo em duas mortes brutais cometidas em menos de uma semana, em 2021: Fábio Romualdo Mendes foi assassinado com vários tiros dentro de seu carro, em plena luz do dia, enquanto aguardava a esposa num posto de saúde em Vargem Pequena. Já Neri Peres Júnior foi morto com 36 disparos de fuzil 7.62 e pistola 9 mm, em Realengo.
O Ministério Público afirma que Bruno Estilo, Rodriguinho e Anderson de Oliveira Reis Viana, conhecido como Papa ou 2P, participaram diretamente das duas execuções. Os dois primeiros estão presos, e 2P é considerado foragido. Segundo a denúncia, foi o próprio Rodriguinho quem pediu a Bruno um fuzil para usar na execução de Neri, afirmando que queria, nas suas palavras, “estragar” a vítima.
Além de Bruno Estilo, outros três PMs foram denunciados por integrar a organização criminosa: o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa, conhecido como Tenente Alessander, do 39º BPM (Belford Roxo), e o cabo Diogo Briggs Climaco das Chagas, o Briggs, do 9º BPM (Rocha Miranda). Ambos são considerados foragidos.
Grupo atuava a mando dos chefes da contravenção
O grupo seria liderado por Thiago Soares Andrade Silva, ex-policial militar conhecido como Ganso, Batata ou Soares, que está preso na Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói. De acordo com o MPRJ, o “novo Escritório do Crime” atuava a mando de chefes da contravenção e também estava envolvido em um esquema de comércio ilegal de armas e munições apreendidas em operações policiais.
A lista completa dos denunciados inclui:
Thiago Soares Andrade Silva (Ganso, Batata ou Soares) – preso
Rodrigo de Oliveira Andrade de Souza (Rodriguinho) – preso na Penitenciária Lemos Brito (Bangu 6)
Anderson de Oliveira Reis Viana (Papa ou 2P) – foragido
Diony Lancaster Fernandes do Nascimento (Diony) – preso na Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza
André Costa Bastos (Boto, Redbull ou Red) – preso em Bangu 4
Vitor Francisco da Silva (Vitinho Fuba) – foragido
Todos foram denunciados por organização criminosa armada, sequestro e comércio ilegal de armamento. Segundo os promotores, o grupo funcionava como uma estrutura paramilitar a serviço do crime, com objetivos definidos e logística própria para matar por encomenda — e com uma fila à espera.
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