Projeto aprovado em 1º discussão na Câmara do Rio proíbe construção de prédios que façam sombra na orla carioca

Texto de Pedro Duarte (Novo) visa corrigir brecha que permite construções altas em ruas internas, desde que não sejam de frente para o mar. Medida impede que prédios sejam altos o suficiente para fazer sombra no calçadão e areal

A Câmara do Rio aprovou em primeira discussão, nesta terça-feira (2), o projeto de lei complementar que endurece as regras para novas construções na orla da cidade. A proposta, aprovada por 31 votos favoráveis, tem como objetivo impedir que novos empreendimentos, residenciais ou comerciais, projetem sombra sobre o calçadão ou sobre a faixa de areia das praias cariocas.

O texto ataca uma brecha na legislação atual, que proíbe sombreamento apenas para prédios fronteiriços à orla — ou seja, aqueles nas ruas de frente, como a Avenida Atlântica, Vieira Souto e Delfim Moreira. Hoje, são permitidas as construções de espigões em ruas internas — segunda ou terceira quadra, por exemplo — que, por não serem fronteiriços, podem subir o gabarito mesmo que acabem tapando o sol dos banhistas.

O autor da proposta, Pedro Duarte (Novo), subiu à tribuna para explicar que a mudança apenas cumpre a intenção original do legislador: proteger o sol. 

“A intenção ao proibir a sombra na praia não era se o prédio está na primeira ou segunda rua, o que importa é se ele faz ou não sombra na praia. O que causou confusão foi o termo ‘fronteiriço’, que consta no decreto em vigor. O que nosso projeto faz é tirar esse termo, deixando claro que qualquer prédio, se causar sombra na praia e na areia, não pode ser construído”, defendeu Duarte.

Polêmica em Ipanema motivou projeto

A discussão não é nova. No ano passado, um debate tomou conta do noticiário após a denúncia de que dois projetos de prédios em Ipanema projetariam sombra na areia. Na ocasião, a prefeitura chegou a embargar as obras, mas precisou recuar após a constatação de que os empreendimentos seguiam a letra fria da lei, já que não estavam na primeira linha de frente para o mar.

“Nosso projeto busca simplesmente resolver essa discussão e proteger a nossa orla e o sol, que todos nós cariocas tanto gostamos de aproveitar”, completou Pedro Duarte.

Pelo novo texto, a proibição de sombreamento passa a valer para todo o município, independentemente da distância do terreno para a orla. Se o estudo técnico apontar que o gabarito do prédio vai fazer sombra no calçadão ou na areia, a altura terá que ser reduzida.

O projeto ainda precisará passar por uma segunda discussão em plenário e poderá receber emendas antes de seguir para sanção ou veto do prefeito.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading