‘Só senti queimar’: mulheres baleadas relatam terror em tiroteio na Ilha

Cabelereira atingida no quadril e jovem ferida enquanto trabalhava descrevem minutos de pânico, corrida para sobreviver e impacto emocional do ataque

“Eu só senti queimar”. É assim que a cabelereira Patrícia Godoys descreve o momento em que percebeu ter sido baleada durante um tiroteio que interrompeu seu trajeto na Ilha do Governador. Patrícia tinha acabado de atender uma amiga chamada Daiane e retornava para casa em um carro por aplicativo quando os tiros começaram.

Em seu depoimento ao g1, ela relembra a sequência de segundos que transformou uma corrida comum em desespero: “Quando eu olhei para baixo, estava sangrando. Fiquei desesperada, a Daiane também. Ela caiu, se machucou, tentando me tirar do carro. Nunca vivi isso”.

Dor, desespero e um milímetro da morte

A bala entrou pela parte da frente do quadril e saiu atrás. Mesmo com o ferimento, Patrícia conseguiu ser socorrida rapidamente e recebeu alta no mesmo dia. O susto, porém, ficou marcado. Nas redes, ela repetiu a frase que virou um mantra desde então: “Não era minha hora, graças a Deus. Deus me livrou”.

No hospital, ouviu do médico que sua sobrevivência foi por pouco. “Ele me perguntou se eu tinha religião. Eu disse que sim. E ele falou: ‘Amanhã você pode agradecer, porque você nasceu de novo. Se pegasse milímetros para o lado, você estava morta’”. A orientação dos profissionais de saúde incluiu repouso, acompanhamento e três dias de afastamento.

A rotina interrompida de Marina, de 23 anos

A segunda vítima, Marina dos Santos Oliveira, 23 anos, trabalhava em um food-truck próximo ao local quando foi atingida. Ela foi levada em estado grave para o Hospital Evandro Freire e passou por cirurgia. A unidade informou que o quadro é estável, mas ainda inspira cuidados.

Testemunhas que estavam na região afirmaram que Marina não teve sequer tempo de buscar abrigo. O barulho dos disparos tomou conta da rua e o trabalho se transformou em fuga — uma fuga interrompida por um tiro.

Trauma que permanece

Enquanto a investigação tenta esclarecer o que deu início ao tiroteio, as duas mulheres agora lidam com o impacto do que viveram. Patrícia tenta organizar emoções, dores e lembranças. “Meu Deus. Eu nasci de novo”, repete.

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