Senadores se acorrentam no plenário, mas oposição sofre derrota com retomada das comissões

Mesmo com atos teatrais de bolsonaristas, comissões voltam a funcionar e projeto do IR pode ser votado ainda nesta semana

Em mais um capítulo da tentativa da oposição de paralisar os trabalhos do Congresso Nacional, senadores e deputados ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro recorreram a um ato inusitado nesta quarta-feira (6). Os senadores Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Girão (Novo-CE), além do deputado Hélio Lopes (PL-RJ), se acorrentaram à mesa do plenário do Senado, numa tentativa de pressionar a presidência da Casa a pautar temas de interesse do grupo.

A mobilização iniciada na terça-feira (5), após a autorização de prisão domiciliar para Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Desde então, parlamentares bolsonaristas vêm promovendo um movimento de obstrução, com discursos contínuos e tentativas de impedir o andamento das sessões.

Apesar do protesto, a estratégia tem encontrado resistência na cúpula do Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vem adotando uma postura de contenção, sem confrontar diretamente os oposicionistas, mas agindo nos bastidores para retomar a normalidade legislativa. Ele evitou, por exemplo, acionar a Polícia Legislativa para retirar os parlamentares acorrentados. No entanto, articula com senadores e presidentes de comissões para garantir o funcionamento das atividades legislativas.

Comissões voltam ao trabalho

Nesta quarta, as comissões permanentes retomaram suas agendas. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais relevante do Senado, deliberou normalmente sobre nomeações. Também voltaram a funcionar as comissões de Direitos Humanos (CDH), Meio Ambiente (CMA), Ciência e Tecnologia e Esporte (CEsp), com a realização de audiências públicas e discussões de pautas.

Segundo interlocutores próximos a Alcolumbre, o senador tem feito ligações para colegas e lideranças partidárias pedindo empenho na manutenção dos trabalhos. A principal preocupação da presidência do Senado, segundo esses relatos, é preservar a imagem institucional da Casa diante do que é considerado um “protesto midiático”.

Impasses e ameaças à pauta econômica

O movimento da oposição tem como exigências a votação do projeto de anistia a investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro e o andamento de pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em coletiva de imprensa, parlamentares afirmaram que não irão encerrar a mobilização enquanto essas pautas não forem consideradas.

A obstrução já ameaça medidas com impacto direto na população. Um exemplo é o projeto de lei que isenta do Imposto de Renda quem recebe até dois salários mínimos (R$ 3.036). Se não for votado até a próxima segunda-feira (11), o texto perde validade. A proposta estava prevista para entrar na pauta do plenário entre esta quarta e quinta-feira.

Comando do Congresso pode tomar medidas duras

Mesmo diante da resistência da oposição, a movimentação nos bastidores indica que o Senado deve manter a retomada gradual dos trabalhos, ainda que sem confrontos diretos. O clima nos corredores do Congresso, no entanto, é de alerta: caso os protestos ganhem novos contornos ou interfiram no funcionamento das sessões plenárias, a possibilidade de medidas mais duras por parte da presidência da Casa não está descartada.

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