A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado instala nesta quarta-feira um grupo de trabalho para acompanhar as investigações envolvendo o Banco Master. A iniciativa pretende organizar a apuração em frentes institucionais e dar caráter técnico ao debate antes de qualquer discussão sobre mudanças nas regras do sistema financeiro.
O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), vai apresentar um plano de trabalho que prevê convocações de dirigentes, participação de auditorias independentes e a possibilidade de acesso a informações protegidas por sigilo. A proposta busca estruturar a atuação do Senado e evitar sobreposição com outros órgãos.
Como etapa inicial, o roteiro inclui visitas formais ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo Filho.
Alinhamento entre Poderes e escopo da apuração
A avaliação dos senadores é que os encontros são essenciais para alinhar o escopo da atuação do Legislativo, prevenir conflitos entre Poderes e mapear o estágio real das apurações nas frentes administrativa, criminal e de controle externo.
Além das visitas, o plano detalha um ciclo de audiências públicas temáticas. O roteiro começa pela liquidação extrajudicial do banco e pela atuação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários, avança para o papel do Fundo Garantidor de Créditos no ressarcimento de investidores e chega à análise das auditorias externas que validaram as demonstrações financeiras antes da intervenção.
Também estão previstas sessões específicas para discutir eventuais falhas de supervisão e gargalos regulatórios revelados pelo caso, com participação de especialistas e representantes de órgãos de controle.
Documentos, diligências e relatório final
O documento autoriza a requisição de informações e papéis, inclusive sob sigilo, além de diligências e pedidos de apoio técnico às consultorias do Senado e a instituições como o TCU.
Ao final dos trabalhos, a CAE deve consolidar um relatório com conclusões e recomendações. O texto poderá servir de base para propostas legislativas voltadas a endurecer a fiscalização e reduzir o risco de novos colapsos no sistema financeiro.






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