Ações de promoção de inclusão educacional e oportunidades de trabalho para população LGBTI+. Este foram os temas de debate do seminário “Diálogos e Respostas sobre Discriminação contra a População LGBTI+ no Mercado de Trabalho e nos Espaços Educacionais”, realizado, nesta quarta-feira (19/04), na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O evento faz parte do projeto Conexão Rio, organizado pela Aliança Nacional e Grupo Arco Íris, uma parceria do Governo Federal, Estadual e a Alerj.
A criação de projetos de lei que garantam vagas em prestadoras de serviços do estado e em universidades também pontuaram as discussões. Neste sentido, Dani Balbi (PCdoB), a primeira deputada transsexual eleita para a Alerj, falou de um texto de sua autoria que prevê a reserva de 1% das vagas nas universidades estaduais para a população trans. “Essas pessoas precisam de educação e emprego para saírem do ciclo da prostituição compulsória. O projeto garante capacitação utilizando o recurso das cotas.”, enfatizou.
A iniciativa tem sua importância. Estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), publicado na Nature Scientific Reports, em 2021, apontou que 0,7% dos brasileiros são transgêneros, mas que apenas 0,1% são universitários. Mas o acesso ao mercado de trabalho é outro desafio. Segundo o diretor da Aliança Nacional, Cláudio Nascimento, 90% da população trans sofre com o desemprego. “É fundamental que o governo estadual inclua e promova empregabilidade dessas pessoas”, disse.
Para isso, argumentou ele, instituições públicas estaduais e municipais poderiam articular com empresas terceirizadas a criação de um sistema de cotas para a contratação desses profissionais, mas que também garantisse a permanência no emprego, outro problema enfrentado. Para isto, porém, a solução apresentada foi a qualificação profissional por meio de cursos, o que ajudaria o público trans, inclusive, a assumir funções de liderança.
O empreendedorismo desses profissionais é outra luz no horizonte e vem sendo aplicado pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio (CEDS). “A gente trabalha em cima da vocação. O empreendedorismo salva muita gente que tem talento, além de acelerar a empregabilidade. Levamos tempo para fazer uma empresa entender esse mecanismo, e quando isso acontece o índice de permanência é baixíssimo pelo preconceito”, justificou o coordenador do CEDS, Carlos Tuffvson.
Há dois anos a CEDS tem trabalhado em parceria com o Senac-RJ na profissionalização de pessoas LGBTI+ e agora vai abrir turmas com o Sebrae para auxiliar os profissionais na abertura das suas empresas. “Estamos fazendo o que é possível para ajudar essas pessoas. Não temos tempo para esperar o preconceito acabar. Não quero que contratem a gente por assistencialismo, mas também não quero que deixem de nos contratar por preconceito”, afirmou Tuffvson.





