O Dia do Patriota entrou oficialmente para o calendário da cidade. É o que diz o projeto promulgado nesta segunda-feira (15) pelo presidente da Câmara do Rio, Carlo Caiado (PSD). A norma, originada de um projeto de Rogério Amorim (PL), foi oficializada pelo Legislativo após o prefeito Eduardo Paes (PSD) optar pelo silêncio possivelmente para não criar rusgas nem com a direita nem com a esquerda.
A estratégia do Executivo de deixar o texto na gaveta transferiu a responsabilidade da promulgação de volta para a Mesa Diretora da Câmara, que ficou incumbida de concluir o processo legislativo, como prevê a Lei Orgânica. Na prática, a promulgação indica que o alcaide preferiu não assumir publicamente uma posição sobre o texto.
Ocorre que embora aparentemente inofensiva, a matéria já foi motivo de embates ideológicos no velho Palácio Pedro Ernesto. É que o dia escolhido para a comemoração do Dia do Patriota foi 21 de março. Embora o texto não cite nomes, a data marca exatamente o aniversário do ex-presidente Jair Bolsonaro, líder político da bancada encabeçada por Amorim na Cinelândia.
Esquerda e direita brigaram em plenário por causa da escolha da data
Durante a votação final, no mês passado, o Psol acusou a proposta de tentar homenagear o ex-mandatário de forma velada. Na ocasião, Monica Benício (Psol) fez frente na tribuna e até chegou a furar o “protocolo de paz” das sessões extraordinárias de quarta-feira para criticar a proposta, cobrando a justificativa da escolha da data — que acabou não sendo apresentada por Amorim.
“Admitir que o Dia do Patriota seja o dia do aniversário de Jair Bolsonaro é tirar o carioca como otário. […] Não há nada de patriota para mim em Jair Messias Bolsonaro, um homem denunciado e processado pelo STF por tentativa de golpe de estado”, provocou a vereadora na aprovação do projeto, relembrando as acusações contra o ex-presidente no caso da trama golpista.
A base bolsonarista na Casa reagiu e acusou a oposição de quebrar acordos regimentais e de politizar a votação, além de defender o ex-mandatário diante das críticas. Por fim, a proposta acabou aprovada por maioria, com votos contrários vindo de vereadores do Psol e do PT.
Ideia segue tendência nacional
A ideia de instituir o Dia do Patriota especificamente em 21 de março não é uma exclusividade do parlamento carioca. A manobra para vincular a celebração ao aniversário de Bolsonaro tem se repetido em outras casas legislativas pelo país, virando moda entre parlamentares do PL.
Um texto semelhante já chegou a tramitar até na Câmara dos Deputados. Também não é novidade no Legislativo municipal: em Novo Hamburgo (RS), por exemplo, um projeto idêntico também causou tumulto na Câmara da cidade em abril deste ano. Na terra gaúcha o texto era assinado pelo vereador Juliano Souto (PL).
Pressionado pela oposição, que fez frente semelhante à esquerda da capital fluminense, o autor chegou a argumentar que o dia 21 de março também era o aniversário de figuras como Ayrton Senna e Ronaldinho Gaúcho, tentando desvincular o projeto da imagem de Bolsonaro. Por lá, diferentemente do Rio, a repercussão acabou travando a tramitação.






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