Seis mortes e dezenas de casos suspeitos de intoxicação por metanol em São Paulo preocupam o país

Substância altamente tóxica foi encontrada em bebidas adulteradas; bares e distribuidoras foram interditados na capital e na Grande SP

O estado de São Paulo já registra ao menos seis mortes suspeitas por intoxicação por metanol, uma confirmada e cinco em investigação. Além disso, há 37 casos suspeitos no estado, sendo dez confirmados e 27 em análise. A maior concentração dos óbitos ocorreu em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde quatro homens morreram entre os dias 18 e 30 de setembro. Os casos paulistas causam preocupação nacional.

Fiscalização e interdições
Desde segunda-feira (29), a Vigilância Sanitária interditou seis estabelecimentos: quatro bares na capital — localizados na Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins e Mooca —, além de um bar em São Bernardo do Campo e uma distribuidora em Barueri. O bar dos Jardins e uma distribuidora no estado também tiveram as inscrições estaduais suspensas.
Foram apreendidas 128 mil garrafas de vodca lacradas em Barueri, além de outras 802 garrafas em diferentes pontos da capital e da Grande São Paulo.

Vítimas hospitalizadas
Entre os internados, está Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, que passou mal após beber vodca com suco de pêssego em uma balada de São Bernardo. Ela está em estado grave, sedada e fazendo hemodiálise. Outro paciente, Rafael Anjos Martins, de 27 anos, está internado há um mês em Osasco sem fluxo sanguíneo cerebral após ingerir gin comprado em uma adega.
Já Radharani Domingos, de 43 anos, ficou cega depois de consumir caipirinhas em um bar nos Jardins. Ela deixou a UTI e foi transferida para o quarto nesta semana.

Casos em Pernambuco
Na noite desta terça-feira (30), o governo de Pernambuco confirmou a investigação de três casos suspeitos. Dois homens morreram e outro perdeu parte da visão após ingerirem bebidas adulteradas no Agreste. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária acompanha a situação.

O que é o metanol
O metanol é um produto químico utilizado em solventes, anticongelantes e vernizes, mas não pode ser consumido. Líquido incolor e de cheiro semelhante ao álcool, é usado ilegalmente na adulteração de bebidas por ser mais barato de produzir.
Seus efeitos aparecem entre 40 minutos e 72 horas após a ingestão e podem causar tontura, vômitos, convulsões, cegueira, insuficiência renal e até a morte. A toxicidade depende da quantidade ingerida e das características físicas da vítima.

Tratamento
A intoxicação por metanol exige atendimento médico imediato. O antídoto é o etanol, que compete com o metanol no fígado e ajuda a reduzir sua metabolização tóxica. Em casos graves, a hemodiálise é necessária para remover os subprodutos nocivos do sangue.

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