A Polícia de São Paulo, com apoio da Vigilância Sanitária, intensificou nesta quarta-feira (1º) a fiscalização em bares e estabelecimentos suspeitos de comercializar bebidas adulteradas com metanol, informa o g1. A nova etapa da operação inclui dois endereços na região da Bela Vista, na capital, e outros dois em Barueri, na Grande São Paulo. Os locais não foram divulgados para não atrapalhar as investigações.
Primeiras interdições e caso de cegueira
Na véspera, três estabelecimentos já haviam sido interditados, incluindo o bar Ministrão, na Alameda Lorena, bairro dos Jardins. A casa ficou no centro da crise após a designer de interiores Radharani Domingos, de 43 anos, perder a visão depois de beber caipirinhas preparadas com vodca no local.
Segundo Manoel Bernardes de Lara, diretor do Centro de Vigilância Sanitária do Estado, a interdição do bar foi uma medida de precaução. “Nessa fiscalização [desta terça], a gente fez uma nova checagem e teoricamente as bebidas de hoje, a princípio, estavam regularizadas, mas por já ter ocorrido o caso de recolher [na segunda] mais de 100 garrafas [sem nota fiscal] não temos certeza se outras garrafas não foram manipuladas também”, afirmou.
Em nota, o bar informou que “todas as nossas bebidas são adquiridas de fornecedores oficiais, com nota fiscal e procedência garantida, provenientes de grandes distribuidoras reconhecidas no mercado”.
Outros locais também foram alvo da operação: o Torres Bar, na Mooca, e um estabelecimento em São Bernardo do Campo, cujo nome não foi divulgado. O Torres afirmou estar “colaborando integralmente com todos os órgãos de fiscalização competentes” e que todos os produtos são de distribuidores oficiais.
Mortes confirmadas e gabinete de crise
Até esta semana, a Secretaria de Saúde do Estado registrava 22 ocorrências relacionadas ao consumo de metanol: 17 em investigação e cinco mortes. Uma delas, a do advogado Marcelo Lombardi, de 45 anos, já foi confirmada como causada por bebida adulterada.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciou a criação de um gabinete de crise para coordenar as ações. “A partir do momento que a gente sabe que aquela bebida foi consumida naquele estabelecimento, esse local vai passar pela interdição cautelar. Não pode continuar comercializando bebidas se a gente tem uma suspeita que a bebida é fraudada”, disse.
Ele explicou que as interdições têm como objetivo rastrear a origem das bebidas. “Se [o estabelecimento] comprou e não tem uma origem comprovada, ou se tem como comprovar, a gente também vai conseguir chegar no distribuidor e, a partir dali, fazer a investigação. Se houve boa-fé, a gente consegue fazer só a interdição da bebida, só a interdição do lote, e aí o estabelecimento volta a operar com segurança.”
Apreensões e medidas preventivas
Na segunda-feira (29), 117 garrafas sem rótulo e sem procedência foram apreendidas em bares nos Jardins, na Mooca e em São Bernardo. Elas serão analisadas pelo Instituto de Criminalística. Dois estabelecimentos foram autuados por irregularidades sanitárias.
O Centro de Vigilância Sanitária do Estado reforçou a recomendação de que bares, restaurantes e casas noturnas redobrem a atenção com a procedência dos produtos e que consumidores evitem bebidas sem rótulo, lacre e selo fiscal.
O que é o metanol e quais os riscos
O metanol (CH₃OH) é um álcool simples, incolor e inflamável, semelhante no cheiro ao etanol, mas altamente tóxico em doses elevadas. É usado em aplicações industriais e domésticas, como diluentes, vernizes e fluidos de impressoras, e não é adequado para consumo humano.
A ingestão pode causar sintomas como dor abdominal, náusea, vômito, visão turva, convulsões e até cegueira ou morte. Em caso de suspeita, é essencial procurar atendimento médico imediato.
O Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI-SP) oferece apoio pelo telefone (11) 5012-5311 e 0800 771 3733. A rede pública de saúde também disponibiliza informações sobre unidades de referência pelo site buscasaude.prefeitura.sp.gov.br.
Enquanto autoridades reforçam a fiscalização, o clima de medo já afeta bares, restaurantes e clubes sociais da capital, que passaram a restringir ou suspender a venda de destilados para proteger clientes e preservar a confiança do público.






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